A Arte das Máscaras de Olinda: Quatro Gerações de Tradição e Cultura no Carnaval

Tradição dos Juli?es na produção de máscaras de Olinda chega ao Rio

© Tomaz Silva/Agência Brasil

A tradição da arte popular de confecção de máscaras em Olinda, Pernambuco, é mantida viva por Mateus Vitor Santos Vilela, de 27 anos, representante da quarta geração de artesãos. A história começou com seu bisavô, Julião Vilela, no final do século 19, cujo legado é honrado no Bazar Artístico de Julião das Máscaras.

João Dias Vilela Filho, da terceira geração, aprendeu o ofício ainda na infância, aos 12 anos, observando o trabalho do pai. Ele recorda que, apesar dos desafios, a persistência e a dedicação foram fundamentais para aprimorar sua técnica, sempre buscando a excelência sob a orientação do pai. “Nada no mundo é fácil, tem que insistir. Tem muita gente que no meio do caminho desiste, mas se atreve porque tem que ter dedicação total.”

As máscaras, feitas de papel machê, são um elemento icônico do carnaval de Olinda, atraindo turistas e adornando os desfiles de blocos e maracatus. O Homem da Meia-Noite, figura emblemática, lidera a entrega da chave do carnaval, marcando o início dos festejos.

A arte dos “Juliões do Carnaval de Olinda” agora pode ser apreciada na exposição “Entre Máscaras e Gigantes”, no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular no Rio de Janeiro, até 25 de fevereiro de 2026. Para Mateus, a mostra representa um marco na divulgação da cultura pernambucana: “É muito importante para a gente porque vemos a nossa cultura ultrapassar as fronteiras.”

A família Vilela já enviou suas criações para diversos países, mas esta é a primeira vez que realiza uma exposição fora de Pernambuco. A La Ursa, uma de suas criações, transcendeu o carnaval e se tornou um símbolo presente em diversos contextos.

A produção das máscaras é contínua, atendendo a encomendas ao longo do ano e participando de feiras como a Fenearte. João Dias Vilela Filho e Mateus compartilham seus conhecimentos em oficinas, ensinando o processo de criação das máscaras. A exposição apresenta mais de 100 peças, com valores entre R$ 100 e R$ 250.

Raquel Dias Teixeira, antropóloga e autora do texto do catálogo, destaca que as máscaras são expressões de vínculos de parentesco, convivência e território, perpetuando um saber que une trabalho, brincadeira e invenção.

Serviço:

  • Museu de Folclore Edison Carneiro: Rua do Catete, 179, Rio de Janeiro.
  • Período da exposição: 11 de dezembro de 2025 a 25 de fevereiro de 2026.
  • Horário de visitação: Terça a sexta-feira, das 10h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h.
  • Fechado nos dias 24, 25, 31 de dezembro de 2025 e 1º de janeiro de 2026.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2025-12/tradicao-dos-julioes-na-producao-de-mascaras-de-olinda-chega-ao-rio

What do you feel about this?