Gestão da Água em Goiás: Alego Debate Avanços, Desafios e Integração

Audiência pública discute gestão de recursos hídricos goianos

Audiência pública discute gestão de recursos hídricos goianos

A gestão da água em Goiás foi tema de uma audiência pública promovida pela Comissão de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Assembleia Legislativa. O encontro, que reuniu representantes da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), do Ministério Público de Goiás (MP-GO), do legislativo e da comunidade científica, teve como foco os avanços, os desafios e a importância da integração entre as instituições para o uso consciente da água.

Alan Mosele, superintendente de Recursos Hídricos e Informações Ambientais da Semad, apresentou um panorama dos progressos na política de gestão da água em Goiás, mencionando a consolidação de instrumentos como outorga, planos de recursos hídricos, enquadramento dos corpos d’água, sistema de informações e cobrança pelo uso da água. Ele também destacou a modernização desses instrumentos, com novas estações hidrometeorológicas, ampliação do monitoramento, uso de sistemas automatizados de outorgas e maior integração de dados.

O sistema de informações ambientais foi apontado como um importante mecanismo para o acompanhamento em tempo real e o acesso da sociedade a dados oficiais. A alocação negociada da bacia do Meia Ponte também foi ressaltada como uma estratégia bem-sucedida para evitar crises de abastecimento. Segundo Mosele, 100% do território goiano conta com comitês de bacia, fortalecendo a tomada de decisão local e regional. O superintendente apontou que o principal desafio é consolidar esses instrumentos diante dos cenários climáticos e de disponibilidade hídrica previstos para os próximos anos.

O deputado Gomide, presidente da comissão, reconheceu os avanços da Semad, mas enfatizou a necessidade de ampliar a divulgação das iniciativas e resultados para a população. A promotora Daniella Haun Serafim, coordenadora da área de Meio Ambiente e Consumidor do MP-GO, enfatizou a importância da integração entre órgãos públicos, municípios, setor produtivo e sociedade civil para enfrentar os desafios na área. “Falar de água é tratar de vida futura”, declarou Daniella.

A promotora lembrou o Programa Compromisso Hídrico e Resiliência Climática, articulado pelo Ministério Público após a crise hídrica de 2021, que reuniu mais de 40 instituições para atuação preventiva. Ela apontou problemas como assoreamento, ocupações irregulares e a persistência de lixões como falhas estruturais a serem superadas, defendendo parcerias e soluções conjuntas.

A bióloga Mariana Pires Telles, pesquisadora da PUC Goiás e da UFG, alertou sobre a importância do Cerrado para a hidrologia brasileira e o impacto das ações em Goiás em outras regiões do país. Ela apresentou projeções que indicam desafios de segurança hídrica para 2035 e defendeu políticas que integrem ciência, gestão pública e participação comunitária, mencionando projetos de pesquisa e monitoramento na bacia do Araguaia.

Fonte e Fotos: Agência Cora de Notícias

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