Brasil Geração de Resíduos Sólidos Urbanos Aumenta em 2024
© Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Um estudo recente da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) revela que o Brasil gerou 81,6 milhões de toneladas de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) em 2024, um aumento de 0,75% em relação ao ano anterior. Desse montante, 76,4 milhões de toneladas foram coletadas, e 41,4 milhões de toneladas (59,7%) tiveram destinação ambientalmente adequada, sendo encaminhadas para aterros sanitários.
O levantamento, intitulado Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, aponta que cada brasileiro produziu, em média, 384 quilos de resíduos ao longo do ano, ou 1,241 kg por dia. Apesar de 40,3% dos resíduos ainda serem descartados de forma inadequada, como em lixões, houve uma ligeira melhora em comparação com o ano anterior, quando esse índice era de 41,5%.
O presidente da Abrema, Pedro Maranhão, enfatiza: “No ano em que o Brasil proibiu todas as formas de destinação irregular dos resíduos coletados nos municípios, ainda estimamos a existência de quase 3 mil lixões que recebem passivos ambientais que colocam a saúde pública em risco, mas que poderiam se tornar ativos econômicos para o país”.
Em relação à reciclagem, 7,1 milhões de toneladas de resíduos secos foram destinados a esse fim em 2024, representando 8,7% do total gerado. Desse volume, 2,5 milhões de toneladas foram coletadas pelo serviço público e 4,6 milhões de toneladas por meio de coleta informal. Aproximadamente 52% desse material foi recuperado.
O estudo também analisou o reaproveitamento de resíduos orgânicos e não recicláveis para a produção de energia, considerando o combustível derivado de resíduo (CDR), a produção de biogás e biometano e a compostagem. De acordo com Antônio Januzzi, diretor técnico da Abrema, essa metodologia unificou o reaproveitamento de materiais orgânicos e outros inviabilizados para a reciclagem de secos. “A própria Política Nacional de Resíduos define que a gente pode considerar reciclagem, o uso de resíduos na geração de outros elementos que possam ser aproveitados”, afirma Januzzi. A reciclagem bioenergética abrange 11,7% do total de resíduos gerados, superando a reciclagem mecânica de secos, que atinge 8,7%.
A análise da logística reversa no país, abrangendo 13 sistemas, também foi incluída no panorama deste ano. Segundo Jannuzi, os dados indicam uma evolução em direção a uma economia circular. “Este ano, a gente teve a publicação do Decreto 12.688/2025, também chamado de Decreto do Plástico, que vai fazer crescer de 13 para 14 os materiais que serão incluídos nessa economia cíclica. E isso também é um impulsionador importante dentro da cadeia da gestão de resíduos”, conclui.
A Confederação Nacional de Municípios (CNM) ressalta que os municípios com até 50 mil habitantes necessitam de maior apoio para eliminar lixões e implantar aterros sanitários. A entidade defende uma atuação federativa, com a União e os estados apoiando os municípios técnica e financeiramente. A CNM também alerta para os altos custos e dificuldades na implantação de aterros sanitários, destacando a necessidade de considerar os aspectos sociais e econômicos relacionados à geração de energia a partir de resíduos.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-12/producao-de-residuos-cresce-em-2024-destinacao-adequada-melhora
