Ministras e Janja protestam em Brasília contra feminicídios e pedem justiça

Seis ministras e um ministro participam do Levante de Mulheres no DF

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Brasília sediou, neste domingo (7), o ato “Levante Mulheres Vivas”, reunindo seis ministras do governo federal, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, e a primeira-dama Janja Lula da Silva. A manifestação, organizada por diversas entidades da sociedade civil, ocorreu simultaneamente em outras capitais do país, em resposta ao crescente número de casos de feminicídio.

Sob forte chuva, as ministras Márcia Lopes (Mulheres), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Anielle Franco (Igualdade Racial), Esther Dweck (Gestão e Inovação), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas) marcaram presença.

A ministra Márcia Lopes defendeu maior representatividade feminina na política, conclamando: “Não vamos votar em homem que agrida, que ofenda as mulheres. Não vamos votar”. Gleisi Hoffmann enfatizou a necessidade da participação masculina nessa luta, classificando-a como “civilizatória”. Ela declarou: “É muito importante ter os homens ao lado da gente nessa caminhada. Essa luta é de toda a sociedade. Temos que unir forças para tirar essa chaga da sociedade.”

Anielle Franco, emocionada, lembrou de sua irmã Marielle Franco, vereadora assassinada no Rio de Janeiro em 2018: “Quando Marielle foi assassinada da maneira que foi… há um recado dado para essas mulheres. A gente tá aqui hoje pra dizer que vai permanecer viva, de pé, lutando, ocupando todos os espaços, eles queiram ou não. A gente vai permanecer”.

Mesmo em recuperação pós-cirúrgica, Sônia Guajajara participou do ato, alertando sobre a invisibilidade da violência contra mulheres indígenas: “Essa violência que a gente vê hoje em redes sociais, em noticiários, nos territórios indígenas acontece igualmente e nem notícia vira. Elas continuam no anonimato e ainda nem estatística viraram”.

Luciana Santos destacou o caráter histórico da luta feminina contra a violência, afirmando: “Isso é para que a gente possa ter a dimensão da batalha que tem pela frente. Por isso, a luta para que tenhamos salário igual para função igual, creches, direitos para que, nas universidades, as mulheres que sigam a carreira científica possam avançar sem nenhum tipo de empecilho”.

Janja Lula da Silva expressou sua indignação com os feminicídios e clamou por punições mais severas para os criminosos: “Que hoje seja um dia que fique marcado na história desse movimento das mulheres pelo Brasil. A gente precisa de penas mais duras para o feminicídio. Não é possível um homem matar uma mulher e, uma semana depois, estar na rua para matar outra. Isso não pode acontecer”.

A onda de feminicídios recentes, incluindo casos como o de Tainara Souza Santos e as mortes no Cefet-RJ, além do assassinato da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, motivaram a realização do “Levante Mulheres Vivas”.

Dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero revelam que cerca de 3,7 milhões de mulheres brasileiras sofreram violência doméstica nos últimos 12 meses. Em 2024, o país registrou 1.459 feminicídios, com uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em razão do gênero. Em 2025, já foram contabilizados mais de 1.180 casos.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-12/seis-ministras-e-um-ministro-participam-do-levante-de-mulheres-no-df

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