“Levante Mulheres Vivas” Denuncia Feminicídios e Omissão Estatal em Brasília

Em Brasília, mulheres denunciam feminicídios e a omissão do Estado

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em Brasília, um ato denominado “Levante Mulheres Vivas” reuniu milhares de pessoas em protesto contra a violência de gênero, o feminicídio e a alegada omissão do Estado na proteção das mulheres. A manifestação, convocada por diversas organizações feministas, ocorreu em meio a uma onda de casos de feminicídio que ganharam destaque nacional.

Sob forte chuva, o protesto na Torre de TV, no centro da capital federal, foi marcado por discursos de lideranças e apresentações culturais. A assistente social Elisandra “Lis” Martins, do coletivo Batalha das Gurias, expressou em rima a urgência de uma reação estatal diante da violência de gênero e raça, que, segundo ela, afeta profundamente a vida das mulheres. “É violência de gênero, é violência de raça, por esses motivos temos as nossas vidas escassas”, declamou Lis.

O evento contou com a presença de seis ministras do governo federal, incluindo Cida Gonçalves (Mulher), Anielle Franco (Igualdade Racial) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), além da primeira-dama Janja Lula da Silva e diversas outras lideranças.

As críticas ao Estado e à ineficiência do sistema de Justiça em proteger as mulheres foram constantes. Vanessa Hacon, do Coletivo Mães na Luta, denunciou a negligência do sistema judiciário e a culpabilização das vítimas, afirmando que “as mulheres saem de casa para se livrar da violência doméstica e vão parar dentro do sistema de Justiça, onde a violência processual é intensa e absurda e os juízes não fazem nada”.

Os manifestantes enfatizaram que a estrutura patriarcal da sociedade contribui para a escalada de feminicídios no país. Leonor Costa, do Movimento Negro Unificado (MNU), explicou que “o patriarcado é quando a sociedade se estrutura a partir da lógica de que o homem, de que o gênero masculino, tem o poder”. Ela também expressou a esperança de que os atos sensibilizem a sociedade e o Estado, cobrando políticas públicas efetivas.

A importância do papel masculino na luta contra a violência de gênero foi outro ponto abordado. Renata Parreira, do Levante Feminista contra o Feminicídio, Lesbocídio e Transfeminicídio, ressaltou a necessidade de “convocar os homens a discutir, a refletir sobre sua masculinidade tóxica”. Renata também defendeu o aumento do orçamento público para o combate à violência de gênero.

A questão econômica também foi apontada como um fator relevante. Aline Karina Dias, empreendedora do projeto Sebas Turística, destacou o empreendedorismo como “uma ferramenta de emancipação e de existência das mulheres”, argumentando que a independência financeira pode libertar muitas mulheres do ciclo de violência.

O “Levante Mulheres Vivas” foi motivado por casos recentes de feminicídio, como o de Tainara Souza Santos, que teve as pernas mutiladas, e o assassinato da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, crimes que chocaram o país. Dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero revelam que milhões de mulheres brasileiras foram vítimas de violência doméstica nos últimos meses, e que o Brasil registra uma média de quatro feminicídios por dia.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-12/em-brasilia-mulheres-denunciam-feminicidios-e-omissao-do-estado

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