Filhos do Bolsa Família: Seis em cada dez deixam o programa em dez anos, aponta estudo

Caixa começa a pagar Bolsa Família de outubro

© Lyon Santos/ MDS

Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), revelou que seis em cada dez pessoas que recebiam o Bolsa Família em 2014 conseguiram sair do programa nos dez anos seguintes. A pesquisa, intitulada “Filhos do Bolsa Família”, aponta que a maior taxa de saída foi observada entre os adolescentes da época.

A taxa média de saída dos beneficiários foi de 60,68%, mas entre os jovens de 15 a 17 anos, esse índice alcançou 71,25%. Em seguida, aparece a faixa etária de 11 a 14 anos, com 68,80%. Já entre as crianças de até 4 anos, a proporção foi de 41,26%. O público avaliado no estudo é considerado a “segunda geração” do programa, criado em 2003.

O economista Valdemar Rodrigues de Pinho Neto, autor do estudo, destaca o Bolsa Família como um mecanismo de mobilidade social, além de um alívio imediato da pobreza. Ele ressalta a importância das condicionalidades de saúde e educação, como a frequência escolar, a vacinação e o acompanhamento pré-natal. “Transferência de renda e, ao mesmo tempo, viabilizar o fomento de capital humano desses jovens, para que no futuro, tendo oportunidades de trabalho, de empreendedorismo, eles consigam acessar o setor produtivo, ter melhores condições socioeconômicas e, de certa forma, viabilizar essa mobilidade”, afirma.

O pesquisador também salienta que a saída de beneficiários é fundamental para a sustentabilidade do programa. “No contexto de recursos escassos para o governo, saber que os filhos do Bolsa Família não necessariamente estarão presentes no programa no futuro, de certa forma, diz um pouco também a respeito da própria sustentabilidade do programa.”

O estudo aponta que, entre os jovens de 15 a 17 anos em 2014, 28,4% estavam empregados formalmente dez anos depois, e mais da metade (52,67%) havia deixado o Cadastro Único (CadÚnico). A pesquisa também constatou que o ambiente socioeconômico influencia a taxa de saída do programa. Em áreas urbanas, a taxa de saída de jovens de 6 a 17 anos (67%) é maior do que em áreas rurais (55%). Além disso, jovens de famílias com pessoas de referência empregadas com carteira assinada (79,40%) têm maior probabilidade de deixar o programa do que aqueles em famílias com pessoas de referência que trabalham sem carteira (57,51%) ou por conta própria (65,54%). A escolaridade também é um fator relevante, com jovens de famílias com pessoas de referência com ensino médio (70%) apresentando maior taxa de saída do que aqueles com ensino fundamental completo (65,31%).

“Pais que têm mais acesso à educação conseguem romper a pobreza que a gente chama de pobreza intergeracional. Então, filhos de pais mais educados, obviamente, também conseguem sair mais do programa”, avalia Neto.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, comemorou os resultados e afirmou que “o Bolsa Família não é um fim, mas um começo”. Ele complementou: “É muito difícil dar passos largos sem tirar da fome. É difícil estudar se não tirar da fome. É difícil trabalhar se não tirar da fome. Esse passo justifica os mais pobres no Orçamento”.

O estudo da FGV também analisou dados do Novo Bolsa Família, observando que, entre os beneficiários do início de 2023, cerca de um terço (31,25%) já havia saído do programa em outubro de 2025. Entre jovens de 15 a 17 anos, a saída foi ainda maior (42,59%). A entrada mensal de famílias no programa (359 mil em média) ficou abaixo da média de saída (447 mil). Valdemar Pinho Neto acredita que a tendência é positiva: “Assim como a [taxa de saída da] segunda geração foi melhor que a da primeira, a terceira espera-se que seja melhor que a da segunda”.

A pesquisa foi divulgada na mesma semana em que o IBGE revelou que mais de 8,6 milhões de brasileiros deixaram a linha da pobreza em 2024, impulsionada pelo mercado de trabalho aquecido e programas sociais.

O pesquisador Valdemar Pinho Neto destacou duas características importantes da nova versão do programa: a regra de proteção, que não exclui automaticamente quem consegue emprego, e o Programa Acredita, que oferece microcrédito para empreendedores de baixa renda. “A ideia é que a transição do Bolsa Família para o mercado de trabalho seja algo mais suave e não uma decisão muito drástica na vida dos beneficiários”, salienta o professor.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-12/em-10-anos-607-dos-beneficiarios-conseguiram-deixar-o-bolsa-familia

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