CPMI do INSS convoca dono do Banco Master e governador Romeu Zema para depor sobre empréstimos consignados

Na CPMI, presidente de associação nega que entidade seja “fantasma”

© Foto Bruno Spada/ Câmara dos Deputados

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou a convocação e a quebra de sigilo telemático, bancário e fiscal de Daniel Bueno Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão também inclui a convocação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Ambos os nomes foram incluídos na investigação devido a suspeitas de irregularidades na oferta de empréstimos consignados para aposentados e pensionistas do INSS.

Daniel Bueno Vorcaro já havia sido preso e liberado sob acusação de fraude em operações no mercado financeiro, que segundo a Polícia Federal (PF) podem totalizar R$ 12 bilhões. Segundo o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), a convocação de Vorcaro se justifica pelo grande número de reclamações envolvendo o Banco Master na oferta de empréstimos consignados. “É necessária para prestar esclarecimentos acerca da atuação da instituição na oferta de produtos financeiros a aposentados e pensionistas, incluindo o crédito consignado, que possam justificar o elevado número de reclamações recebidas pela Secretaria Nacional do Consumidor, a Senacon, nos últimos anos”, justificou o deputado. Além disso, a CPMI aprovou o envio do relatório de inteligência financeira do Coaf sobre as movimentações bancárias de Vorcaro.

Além de Vorcaro, a CPMI também aprovou a convocação de dirigentes dos bancos Daycoval, Pan, Agibank e BMG, enquanto requerimentos para convocar dirigentes dos bancos Santander, Crefisa, C6 e da Zema Financeira foram rejeitados.

A convocação do governador Romeu Zema foi aprovada com protestos da oposição. De acordo com o deputado Rogério Correia (PT-MG), a Zema Financeira, ligada ao governador, foi uma das beneficiárias da Medida Provisória (MP) 1.106 de 2022, do governo Jair Bolsonaro, que permitiu empréstimos consignados a beneficiários do Bolsa Família, à época chamado de Auxílio Brasil. Segundo o parlamentar mineiro, “Zema foi uma das poucas instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central a oferecer a linha de crédito, que desconta a parcela direto do pagamento feito pelo governo para famílias vulneráveis em até 40% do valor do benefício”.

Em nota enviada à CPMI, o governador Romeu Zema solicitou que não fosse convocado, informando que deixou a empresa Zema Financeira após ser eleito para o governo de Minas em 2018, justificando que não poderia “esclarecer ‘acerca da atuação da instituição na oferta de produtos financeiros a aposentados e pensionistas, incluindo o crédito consignado”.

O deputado Correia rebateu, afirmando que Zema permanece como acionista da instituição financeira, mesmo tendo deixado a direção da empresa devido a exigências legais. “Ele não poderia ser dessa financeira para estar no governo do estado. Por isso saiu. Mas eu queria dizer a vocês que ele ainda mantém 16,41% das ações. O pai dele, Ricardo Zema, 51% das ações. O irmão dele, Romero Zema, 16,41%. E a Luciana Zema, que é a irmã, 16,18%. Se vocês somarem, 100% da família Zema”, disse o deputado.

A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) lamentou a aprovação da convocação, em vez de um convite, que não obriga o comparecimento. Segundo ela, “A gente quer muito que o governador Zema venha pra mostrar como é que se faz política, como é que faz o estado ser mais transparente e ele se colocou à disposição para ser convidado a vir aqui e virá”.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-12/cpmi-do-inss-convoca-dono-do-banco-master-e-governador-zema

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