Estudo Propõe Tarifa Zero no Transporte Público com Financiamento Empresarial

Estudo defende substituir vale-transporte por tarifa zero universal

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um estudo recém-divulgado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade de São Paulo (USP) propõe a implementação da tarifa zero no transporte público brasileiro, através da criação de um fundo financiado por empresas. A proposta visa substituir o atual sistema de vale-transporte por um novo modelo de financiamento, inicialmente com contribuições de empresas privadas e públicas com mais de 10 funcionários, nas 706 cidades brasileiras com mais de 50 mil habitantes.

Segundo o estudo, financiado pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero, aproximadamente 81,5% dos estabelecimentos estariam isentos da contribuição. O professor Thiago Trindade, da UnB, explica que a contribuição seria progressiva: “Um estabelecimento com 10 funcionários irá pagar a contribuição no valor de um. Com 20 funcionários pagará o valor referente a 11 e assim por diante”.

A estimativa é que a contribuição mensal de R$ 255 por funcionário gere cerca de R$ 80 bilhões anuais, montante considerado suficiente para custear a tarifa zero nessas cidades. Atualmente, 137 cidades no Brasil já adotam a gratuidade no transporte público. O estudo calcula que a implementação em todas as 706 cidades custaria R$ 78 bilhões por ano, beneficiando 124 milhões de pessoas.

O relatório enfatiza a viabilidade da tarifa zero sem a necessidade de recursos do governo federal ou criação de novos impostos, apenas com a reformulação do modelo existente. A ideia é que o governo federal crie um fundo de contribuição onde cada empresário pague uma taxa que pode ser equivalente ou até menor do que a paga atualmente no vale-transporte. Trindade defende um projeto piloto em algumas regiões metropolitanas já em 2026.

Os pesquisadores apontam que a tarifa zero liberaria recursos para a população, impulsionando a economia e aumentando a arrecadação tributária. Além disso, o estudo considera que a medida incentivaria o uso do transporte coletivo, reduzindo o número de acidentes de trânsito. Um levantamento do Ipea revelou que as motos representam quase 40% das mortes no trânsito e geram altos custos para o sistema de saúde.

“A gente vai aumentar a vida útil da população brasileira. As pessoas vão trabalhar mais tempo, produzir mais riqueza e o governo vai arrecadar mais dinheiro”, afirma Trindade, ressaltando que a tarifa zero seria um dos maiores programas de distribuição de renda do mundo. No Distrito Federal, por exemplo, estima-se que a implementação do programa injetaria R$ 2 bilhões na economia local em um ano. Para a aprovação de um eventual projeto de lei, o pesquisador do Instituto de Ciência Política da UnB defende uma campanha de sensibilização sobre a importância da tarifa zero: “A gente teve mobilização social que conseguiu colocar esse tema na pauta da sociedade brasileira”.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-11/estudo-defende-substituir-vale-transporte-por-tarifa-zero-universal

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