Acordo Climático da COP30 Aumenta Financiamento, Mas Omite Combustíveis Fósseis
© Bruno Peres/Agência Brasil
Um acordo climático foi firmado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), com o objetivo de aumentar o financiamento para nações pobres que enfrentam os impactos do aquecimento global. O Acordo de Belém propõe uma iniciativa voluntária para acelerar a ação climática e auxiliar os países no cumprimento de suas metas de redução de emissões, além de solicitar que países ricos tripliquem o apoio financeiro para adaptação dos países em desenvolvimento até 2035.
Países em desenvolvimento enfatizam a urgência de recursos para lidar com as consequências já presentes, como o aumento do nível do mar, ondas de calor intensificadas, secas, inundações e tempestades. O acordo também sugere que órgãos climáticos analisem a harmonização do comércio internacional com a ação climática, em resposta a preocupações sobre barreiras comerciais que estariam limitando a adoção de tecnologias limpas.
Apesar dos avanços, o documento final não menciona os combustíveis fósseis, como petróleo e carvão mineral, considerados os principais responsáveis pelas emissões de gases que intensificam o efeito estufa. A União Europeia havia defendido a inclusão de uma linguagem sobre o abandono dos combustíveis fósseis, mas enfrentou resistência de nações do Grupo Árabe, incluindo a Arábia Saudita. A solução encontrada foi incluir a questão em um texto paralelo apresentado pelo Brasil, país anfitrião da COP30.
Ciro Brito, analista de políticas climáticas do Instituto Socioambiental (ISA), lamentou a ausência de um mapa do caminho para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis no texto final. Segundo ele, “não houve menção a combustíveis fósseis, e muito menos qualquer menção a mapa do caminho, conforme estava previsto e havia aparecido nos rascunhos de decisões anteriores.”
O acordo reconheceu a importância das comunidades afrodescendentes e dos territórios indígenas no enfrentamento da emergência climática. Conforme destacado por Brito, “O mutirão reconheceu a necessidade de se considerar os direitos dos povos indígenas e comunidades locais, seus direitos territoriais e o seus conhecimentos tradicionais. Também reconheceu o papel de engajamento desses grupos e dos afrodescendentes na contribuição para o progresso coletivo da COP. Avanços importantes que precisam ser considerados”.
Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, avaliou o acordo como um avanço, mas aquém da crise global. “Ele não dá a resposta necessária ao problema central das NDCs: a falta de alinhamento com a trajetória de 1,5°C. Há reconhecimento do desafio, há processos, há sinalizações mas não há o salto político que a ciência exige. Sem rever ambição, não há mecanismo que compense o descompasso crescente entre promessas e realidade”, disse.
Tatiana Oliveira, líder de estratégia internacional do WWF-Brasil, considera a COP30 um divisor de águas. “[A COP30] reconhece que a ação climática vai além das salas formais da UNFCCC. A distância entre a força social e as páginas frágeis do acordo mostra que as soluções vêm das pessoas e dos territórios. É um sinal claro das limitações da governança global, mas também um convite para um futuro de luta, colaboração e esperança”, afirmou. Ela também ressaltou a inclusão de afrodescendentes no texto e a menção aos direitos territoriais dos povos indígenas como passos históricos importantes. “Acho impossível não se emocionar com tudo o que aconteceu nas últimas duas semanas, independentemente do resultado formal das negociações. Muitas vitórias das que realmente importam, como a inclusão de afrodescendentes no texto e a menção aos direitos territoriais dos povos indígenas e ao CLPI [Consentimento Livre, Prévio e Informado], são passos históricos que ajudam a garantir direitos”, concluiu.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-11/cop30-acordo-climatico-deixa-de-fora-combustiveis-fosseis
