Diretor da PF critica proposta que exigiria aval de governadores para atuação contra crime organizado
© Lula Marques/Agência Brasil
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, manifestou-se contrário à proposta inicial do relator do PL Antifacção, deputado Guilherme Derrite, que previa a necessidade de autorização de governadores para a atuação da PF contra o crime organizado. Em entrevista à TV Brasil, Rodrigues enfatizou que tal exigência seria inaceitável e poderia inviabilizar investigações complexas.
O diretor da PF usou como exemplo o caso Marielle Franco, no qual a autonomia da Polícia Federal foi crucial para “descortinar […] um crime que teve a participação, inclusive, de agentes do Estado para o seu cometimento e agentes de alto escalão do Estado. Houve conselheiro do Tribunal de Contas, deputado federal e também policiais envolvidos nesse crime”. Rodrigues também mencionou a Operação Carbono Oculto como um caso de sucesso impulsionado pela independência investigativa.
A preocupação com a proposta inicial de Derrite também foi compartilhada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que alertou para o risco de comprometer investigações em andamento sobre a atuação do crime organizado no setor de combustíveis. Segundo Haddad, o texto original poderia enfraquecer a atuação da Receita Federal e da Polícia Federal no combate a organizações criminosas.
Já o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, expressou a expectativa de que o projeto de lei Antifacção, de autoria do governo, seja aproveitado em sua maior parte. Ele também manifestou surpresa com a “rapidez” da apresentação do relatório e considerou “inconstitucional” a parte do parecer que tratava da Polícia Federal.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-11/caso-marielle-seria-inviavel-de-apurar-sem-autonomia-afirma-pf
