Mariana: Dez Anos Depois, a Tragédia e o Terrorismo de Barragens
© Antonio Cruz/ Agência Brasil
Um novo episódio do programa “Caminhos da Reportagem” da TV Brasil revisita, nesta segunda-feira (3), a tragédia de Mariana, em Minas Gerais, dez anos após o rompimento da barragem de Fundão, administrada pela Samarco. A atração, que vai ao ar às 23h, acompanha histórias de sobreviventes, discute a segurança de barragens e o impacto da mineração na população.
Em 2015, o rompimento da barragem causou um dos maiores desastres socioambientais do país, resultando em 19 mortes, incluindo a perda de um bebê, e deixando mais de 600 pessoas desabrigadas nos distritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo. O promotor de Justiça Guilherme de Sá Meneghin, do Ministério Público de Minas Gerais, classifica o ocorrido como “uma grave violação aos direitos humanos, que foi se perpetuando ao longo do tempo”, afetando cerca de 3 milhões de pessoas nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.
Mônica Santos, liderança comunitária de Bento Rodrigues, compartilha a dor da perda ao revisitar o local de sua antiga casa: “A visão que eu tive foi essa visão aqui. Aí eu entendi o que estava acontecendo. Eu vi de fato que eu não tinha mais casa, que a igreja de São Bento não existia mais e a casa dos meus avós também”. Ela expressa revolta com a atuação da empresa, afirmando que “a Samarco sabia do problema, e você continua vendo a empresa mandando e desmandando, ditando as regras para quem vai pagar indenização, de quem é atingido ou não”.
A Samarco retomou suas operações em dezembro de 2020, cinco anos após o desastre. Eduardo Moreira, gerente-geral de Projetos da empresa, afirma que o rompimento provocou mudanças significativas e que a empresa busca operar de maneira diferente, com 80% do descarte de rejeitos de minério sendo feito no modelo a seco.
O Brasil possui mais de 900 barragens, sendo que 74 apresentam alto risco de colapso, de acordo com dados do Sistema Integrado de Gestão de Barragens de Mineração (SIGBM). Minas Gerais concentra 31 das 91 barragens em situação de alerta ou emergência. Moradores de distritos como Engenheiro Correia e São Gonçalo do Bação, em Itabirito, relatam insegurança devido à proximidade de barragens.
Em resposta a essa preocupação, a Vale construiu um muro de contenção em 2021 para proteger a área em caso de rompimento das barragens da mina de Fábrica. No entanto, moradores como Thiago Damaceno questionam a eficácia da estrutura: “O muro dá uma falsa tranquilidade, porque a gente não sabe se ele vai funcionar, nunca foi testado”.
Gilvander Luís Moreira, assessor da Comissão Pastoral da Terra em Minas Gerais, denuncia o que chama de “terrorismo de barragem”, alegando que empresas usam a falta de segurança como pretexto para retirar comunidades de seus territórios, visando expandir a área de mineração.
O jornalista e cientista ambiental Maurício Ângelo defende a necessidade de repensar o modelo de mineração no Brasil, buscando evitar que tragédias como Mariana e Brumadinho se repitam.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-11/caminhos-da-reportagem-volta-mariana-dez-anos-apos-tragedia
