HRW Aponta Falhas Cruciais e Desinteresse em Mortes na Operação Contenção no Rio

Investigação das mortes em operação no RJ tem graves falhas, diz ONG

© Tomaz Silva/Agência Brasil

Uma análise da ONG Human Rights Watch aponta falhas significativas na condução da investigação sobre as 121 mortes ocorridas durante a Operação Contenção, realizada no Rio de Janeiro em 28 de outubro. A organização expressou preocupação com o que considera um possível “desinteresse proposital” na apuração dos fatos, dado que as vítimas eram, em sua maioria, negras e de baixa renda.

De acordo com a Human Rights Watch, a polícia falhou em preservar os locais dos tiroteios, uma medida essencial para a análise das circunstâncias das mortes. César Muñoz, diretor da ONG no Brasil, enfatizou a gravidade da situação: “Estamos muito preocupados com o fato de que etapas cruciais da investigação não foram realizadas e que provas importantes podem já ter sido perdidas.”

A Operação Contenção, que envolveu 2.500 policiais, teve como alvo pontos estratégicos da facção Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha. O primeiro dia da operação resultou em 64 mortes, incluindo civis desarmados e crianças. Outras mortes foram registradas na Serra da Misericórdia, após uma emboscada do Bope.

Familiares das vítimas relataram aos jornalistas que registraram a fileira de corpos, sinais de rendição, como mãos e pernas amarradas, e indícios de execução e tortura. A Human Rights Watch destaca que a ausência de perícia e de isolamento dos locais de morte dificulta a obtenção de informações cruciais, como a confirmação de que as vítimas efetuaram disparos de armas de fogo.

Diante desse cenário, Muñoz urgiu as autoridades brasileiras a garantirem “uma investigação rápida, completa e independente de cada uma das mortes, bem como das decisões e do planejamento que levaram a uma operação tão desastrosa”.

A ONG também defende a separação da perícia da Polícia Civil e o investimento em análises forenses independentes, como medida fundamental para investigações criminais de qualidade. A Human Rights Watch criticou ainda as dificuldades de acesso da Defensoria Pública e de observadores independentes ao Instituto Médico Legal, e recomendou a presença de peritos independentes e a condução das investigações pelo Ministério Público.

Até o momento, as polícias civil e militar do Rio de Janeiro não se manifestaram sobre as críticas da Human Rights Watch.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-11/investigacao-das-mortes-em-operacao-no-rj-tem-graves-falhas-diz-ong

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