Maternidade no Rio humaniza luto gestacional e neonatal com práticas de acolhimento
© Tomaz Silva/Agência Brasil
No Rio de Janeiro, uma maternidade pública na zona sul se destaca no acolhimento a famílias que vivenciam o luto gestacional, neonatal e infantil. A Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) abriu suas portas neste mês de outubro, dedicado pela primeira vez no Brasil ao luto gestacional, neonatal e infantil, para demonstrar suas práticas de acolhimento desenvolvidas ao longo de 15 anos.
A iniciativa ganha relevância com a recente entrada em vigor da política de humanização do luto materno e parental, que assegura um atendimento respeitoso e medidas de apoio à recuperação emocional após o trauma. A nova legislação garante às famílias o direito a um momento de despedida com o bebê, incluindo a possibilidade de fotografias e registros como as digitais dos pés, além do registro do nome na certidão de óbito e a opção de sepultamento ou cremação.
Na UFRJ, esses momentos de despedida acontecem em um espaço reservado, o “morge”, decorado para criar um ambiente acolhedor. A psicóloga Paula Zanuto compartilhou um exemplo recente: “O pai e a avó vieram muito cuidadosos, muito amorosos com o corpinho do bebê, o pai colocou a roupinha, vestiu a luvinha, a meinha, muito cuidadoso, a avó falando ‘cuidado para ele não sentir frio’ , por mais que o bebê estivesse morto. A avó ainda ninou um pouquinho no ombro, enrolou na mantinha”.
Daniela Porto Faus, chefe da Unidade de Atenção Psicossocial, explica que a maternidade oferece um par de corações de pano, “A gente oferece um par. Uma unidade fica com a mãe ou o pai e a outra embalamos junto com o bêbê”, como lembrança para as famílias. Ela complementa, “A gente favorece muito esse momento de despedida, seja no centro obstétrico ou na UTI. Respeitamos o tempo da família, temos muito cuidado”,
Apesar dos avanços, a chefe da Divisão de Gestão do Cuidado, Andrea Marinho Barbosa, reconhece que a estrutura física do morge ainda é um desafio: “Nosso grande problema hoje é a estrutura física. O local do morge, onde ficam os corpos, é um pouco pequeno para receber a família toda na despedida do neném”.
A maternidade oferece ainda a “Enfermaria da Finitude”, espaço separado para mães enlutadas, evitando o contato com outras mães e bebês, e atendimento psicológico presencial e telefônico. No entanto, a unidade busca parcerias para ampliar o atendimento domiciliar. A nova lei permite colaborações com organizações do terceiro setor.
A unidade também adota a musicoterapia para pacientes e equipes de saúde, além de defender a inclusão do tema do luto materno na formação de profissionais de saúde.
A diretora da unidade, Penélope Saldanha, enfatiza a necessidade de mudança de mentalidade para a implementação da política, recordando o processo para garantir a presença de acompanhantes no parto.
A Maternidade da UFRJ, referência para seis unidades básicas de saúde no Rio de Janeiro, realiza pré-natal de alto risco, trata doenças gestacionais raras e atende partos de emergência.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-11/maternidade-da-ufrj-e-referencia-no-acolhimento-ao-luto-gestacional
