Câncer: Prevenção e Reestruturação do SUS como Eixos Centrais de Combate, Defende Ex-Ministro Temporão
© Sergio Velho Junior/Fiocruz Brasília
O enfrentamento ao câncer no Brasil deve priorizar a prevenção e a promoção da saúde, indo além do diagnóstico e tratamento. A afirmação é do pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde e ex-diretor do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Em entrevista, Temporão ressaltou que o câncer é um problema multifacetado que exige respostas sociais, econômicas e éticas, e não apenas médicas.
O pesquisador aponta que, embora a incidência de casos não seja tão alta nos países em desenvolvimento, 70% das mortes por câncer ocorrem nessas regiões, evidenciando uma desigualdade no acesso à prevenção e tratamento. “A questão central é que o câncer é um problema multifacetado que transcende muito a medicina. Ele demanda respostas sociais, econômicas e éticas também”, afirma Temporão.
Para Temporão, a prevenção passa pelo combate aos fatores de risco, como o tabagismo, consumo de álcool, obesidade, má alimentação, sedentarismo e poluição ambiental. Ele critica a influência de lobbies que impedem a implementação de medidas como a proibição da publicidade de ultraprocessados para crianças e o aumento de impostos sobre bebidas açucaradas.
O diagnóstico precoce é outro ponto crucial, necessitando de uma rede de atenção básica eficiente. “A atenção básica tem que ter capacidade de perceber sintomas iniciais da doença e também fazer aqueles rastreamentos, como o exame periódico para detecção do câncer de colo de útero, a mamografia, o toque retal, o exame de PSA, a colonoscopia”, explica.
Em relação ao tratamento, Temporão destaca o avanço das tecnologias, como a imunoterapia, mas alerta para o alto custo, que inviabiliza a incorporação em larga escala nos sistemas de saúde dos países em desenvolvimento.
Para cumprir a lei que determina o início do tratamento em até 60 dias após o diagnóstico, o ex-ministro defende uma reestruturação do Sistema Único de Saúde (SUS), com a organização dos municípios em regiões de saúde. “Na discussão que está sendo feita hoje, nós sairíamos de mais de 5 mil sistemas municipais para cerca de 400 regiões de saúde em todo o país”, exemplifica.
Temporão também ressalta a importância do rastreamento organizado e do uso de tecnologias como a telemedicina e a inteligência artificial para aprimorar o diagnóstico e ampliar o acesso aos cuidados. “O Eric Topol, que é um grande estudioso das tecnologias médicas, aposta que essas tecnologias vão libertar o médico de um conjunto de tarefas burocráticas, para que ele possa se dedicar mais de perto ao cuidado. Espero que ele esteja certo. A nossa expectativa é o resgate da famosa relação médico-paciente, que é fundamental em qualquer tratamento”, afirma.
Por fim, o pesquisador alerta para os desafios da desinformação e da necessidade de uma comunicação transparente e culturalmente adequada para conscientizar a população sobre os riscos do câncer e a importância da prevenção.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-10/questao-central-do-cancer-e-prevenir-casos-diz-ex-ministro-temporao
