Microplásticos contaminam 70% das praias brasileiras, aponta estudo inédito com apoio da Fapeg

Contaminação de microplásticos nas praias

Pesquisa liderada por Goiás revela: 70% das praias estão contaminadas por microplásticos

Um estudo apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) revelou que a contaminação por microplásticos está presente em 709 das 1.024 praias brasileiras analisadas. A pesquisa, considerada o maior levantamento já realizado no país sobre o tema, foi publicada na revista internacional Environmental Research e integra o Projeto MicroMar, do Instituto Federal Goiano (IF Goiano – Campus Urutaí).

O estudo, intitulado “Microplastic pollution across the Brazilian coastline: Evidence from the MICROMar project, the largest coastal survey in the Global South”, é resultado do trabalho de mais de 100 pesquisadores e técnicos de diversas instituições brasileiras, coordenado a partir de Goiás. O professor Guilherme Malafaia, coordenador do projeto, considera o MicroMar “um marco para a ciência goiana, nacional e global”, destacando a capacidade do estado em liderar uma investigação costeira de grande porte mesmo sem possuir litoral.

Thiarlen Marinho da Luz, doutorando e bolsista do Programa de Bolsas de Doutorado de Excelência da Fapeg, ressalta a importância do apoio da fundação para o avanço da pesquisa: “O investimento da Fapeg vai além da formação individual; representa a aposta do estado em jovens pesquisadores capazes de enfrentar desafios ambientais de escala global”.

O levantamento, que analisou praias em 211 municípios ao longo de 7.500 quilômetros do litoral brasileiro, entre abril de 2023 e abril de 2024, identificou que a poluição plástica é generalizada e persistente, afetando tanto áreas urbanas quanto regiões de conservação. As partículas encontradas, provenientes de embalagens, tecidos sintéticos, produtos de uso doméstico e materiais de pesca, evidenciam a relação direta entre o consumo diário e a contaminação marinha.

Os dados obtidos pelo MicroMar servirão como base para políticas públicas e estratégias de gestão costeira, alinhadas à Estratégia Nacional Oceano sem Plástico (ENOP) e a projetos de lei em tramitação no Congresso. Segundo Malafaia, “O MicroMar fortalece a base técnica e social para a implementação dessas políticas e para uma transição sustentável ‘da fonte ao mar’”.

Marcos Arriel, presidente da Fapeg, afirma que o estudo reforça o compromisso da Fundação com a ciência de ponta: “É por meio da pesquisa de fronteira que surgem as soluções para os desafios mais complexos. Elas se traduzem em tecnologias, serviços e políticas públicas que beneficiam a sociedade e preparam o país para enfrentar crises ambientais e sociais”.

Além do artigo científico, o MicroMar prepara um relatório técnico para o MMA e as secretarias estaduais de meio ambiente, com o objetivo de consolidar um banco de dados nacional sobre microplásticos e aproximar ciência, governo e sociedade. De acordo com Malafaia, “Traduzir o conhecimento científico em soluções práticas é o caminho para reduzir a poluição plástica e preservar os ecossistemas costeiros”.

Fonte e Fotos: Agência Cora de Notícias

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