Trabalhadores de Aplicativo Ganham Mais, Mas Trabalham Mais Horas e Enfrentam Mais Informalidade, Aponta IBGE

Trabalhador por aplicativo ganha mais, porém tem jornadas mais longas

© Paulo Pinto/Agência Brasil

Um estudo recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, revela que trabalhadores que utilizam aplicativos como Uber, Ifood e outros, tiveram um rendimento médio mensal de R$ 2.996 em 2024. Este valor representa um aumento de 4,2% em relação aos trabalhadores que não utilizam plataformas, cuja renda média foi de R$ 2.875.

Apesar da renda ligeiramente superior, o levantamento aponta que os trabalhadores de aplicativos cumprem jornadas mais longas, com uma média de 44,8 horas semanais, em comparação com as 39,3 horas dos não plataformizados. Consequentemente, o valor da hora trabalhada para quem atua por aplicativos é menor, R$ 15,4 contra R$ 16,8.

A pesquisa do IBGE também demonstra que a informalidade é mais presente entre os trabalhadores de aplicativos: 71,7% não possuem carteira assinada ou CNPJ, contra 43,8% dos demais trabalhadores. A contribuição para a previdência também é menor, com apenas 35,9% dos plataformizados contribuindo, em comparação com 61,9% dos não plataformizados.

O estudo detalha a situação de motoristas e motociclistas, segmentos com expressiva presença de trabalhadores de aplicativos. Motoristas de app, por exemplo, tiveram um rendimento médio de R$ 2.766, acima dos R$ 2.425 dos não plataformizados, mas também enfrentam jornadas mais longas e maior informalidade. Entre os motociclistas, o rendimento dos que utilizam aplicativos também é superior, R$ 2.119 contra R$ 1.653, porém, a informalidade e a falta de contribuição previdenciária também são mais acentuadas.

O debate sobre o reconhecimento do vínculo empregatício entre trabalhadores e plataformas digitais está em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF), com um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) contrário ao reconhecimento. A questão central é a busca por direitos trabalhistas e a garantia de proteção social para esses trabalhadores, em contraposição à visão das empresas, que não reconhecem o vínculo empregatício.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-10/trabalhador-por-aplicativo-ganha-mais-porem-tem-jornadas-mais-longas

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