Tempo de Aula Perdido e Desvalorização: Radiografia da Realidade Docente no Brasil, Segundo a Talis 2024
© Bruno Peres/Agência Brasil
Um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), através da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) 2024, revela um desafio persistente nas salas de aula brasileiras. Em média, professores no Brasil dedicam 21% do tempo de aula para restabelecer a ordem, o que significa que uma a cada cinco horas de aula é consumida por questões disciplinares.
O estudo, que entrevistou professores e diretores do ensino fundamental (6º ao 9º ano) em 53 países, aponta que o Brasil supera a média dos países membros da OCDE, onde o tempo perdido com disciplina é de 15%. A pesquisa também indica que “quase a metade dos professores brasileiros (44%) relatam que são bastante interrompidos pelos alunos”, um número que contrasta fortemente com a média de 18% observada nos países da OCDE.
A pesquisa também abordou a questão do estresse entre os professores, onde 21% dos docentes brasileiros consideram o trabalho muito estressante, um número próximo à média da OCDE (19%), porém, com um aumento de 7 pontos percentuais em relação a 2018. No que tange aos impactos na saúde, o Brasil também apresenta números superiores à média dos países pesquisados. A pesquisa revela que 16% dos professores brasileiros sentem que a profissão impacta negativamente sua saúde mental, enquanto a média da OCDE é de 10%. Já a saúde física é impactada negativamente para 12% dos professores brasileiros, contra uma média de 8% na OCDE.
A valorização dos professores é outro ponto crítico levantado pelo estudo. Apenas 14% dos professores brasileiros acreditam ser valorizados pela sociedade, um número inferior à média da OCDE de 22%. No entanto, este índice representa um aumento de 3 pontos percentuais em relação a 2018. O mesmo percentual (14%) sente que os professores são valorizados nas políticas públicas do país, com um aumento de 8 pontos percentuais em relação ao último estudo, embora ainda abaixo da média da OCDE, que é de 16%.
Apesar dos desafios, “a maior parte dos professores brasileiros, 87%, afirma que, no geral, está satisfeito com o trabalho”, um índice similar ao registrado em 2018 e próximo à média da OCDE, de 89%. Além disso, para 58% dos docentes, ser professor foi a primeira escolha de carreira, um dado em linha com a média da OCDE e o registrado no estudo anterior.
A Talis 2024, cuja coleta de dados no Brasil ocorreu entre junho e julho deste ano, é a quarta edição da pesquisa e foi conduzida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em colaboração com as secretarias de educação das 27 Unidades Federativas.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-10/professor-brasileiro-perde-21-do-tempo-de-aula-para-manter-disciplina
