CEI da Limpeza em Goiânia Convoca Diretor da Limpa Gyn e Apura Irregularidades no Contrato
A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Goiânia avança na investigação sobre possíveis irregularidades no contrato de limpeza urbana firmado entre a prefeitura e o Consórcio Limpa Gyn. Em reunião realizada nesta terça-feira (23), foram aprovados requerimentos de convocação, incluindo a do diretor da empresa, Renan Andrade, além dos fiscais do contrato 020/2024 da Prefeitura de Goiânia.
A CEI também agendou para a próxima segunda-feira (29) uma visita técnica ao Aterro Sanitário, com o objetivo de verificar in loco como é realizada a medição do lixo que chega ao local. O relator da CEI, vereador Willian Veloso (PL), enfatizou a necessidade de esclarecer a fundo a prestação de serviço da Limpa Gyn: “É uma empresa privada. Queremos entender como ela está obtendo lucro, quais os horários, os dias e quantos caminhões são utilizados. Precisamos conhecer toda a metodologia e os critérios aplicados pelo consórcio na limpeza de Goiânia, já que muitas falhas estão sendo detectadas e apontadas pela população na prestação do serviço”.
Além dos representantes da Limpa Gyn e da prefeitura, a CEI aprovou a convocação de 22 pessoas, incluindo representantes de 15 cooperativas de reciclagem que recebem material da coleta seletiva realizada pela empresa. Segundo o presidente da CEI, vereador Welton Lemos (Solidariedade), as cooperativas têm reclamado da redução no volume de material recebido. “Convocaremos quem for necessário, independentemente de ser desta gestão ou da anterior”, afirmou Lemos.
Sonegação de Informações?
A vice-presidente da CEI, vereadora Aava Santiago (PSDB), criticou a postura do Consórcio Limpa Gyn, acusando a empresa de “mecanismo de obstrução” e de “insulto ao Parlamento”. Segundo ela, a empresa entregou mais de seis mil páginas em arquivos digitais, além de 20 caixas de documentos impressos, mas se recusa a responder questionamentos de forma clara e direta. “O prazo encerrou no último dia 18 e só no dia 22, depois das 18 horas, os documentos foram apresentados”, disse a vereadora.
Aava Santiago também reclamou da falta de informações sobre os veículos utilizados pela empresa na coleta de lixo. “Não informaram, pasmem, as placas dos veículos”, destacou, ressaltando a importância desses dados para confrontar com as imagens das câmeras de monitoramento da prefeitura. “O cidadão goianiense está pagando pela prestação do serviço público a uma empresa privada e não temos a resposta se o caminhão está, de fato, passando; aonde, quando e quantas vezes está passando; e quanto estamos realmente pagando pela limpeza da nossa cidade”.
Ainda segundo a vereadora, a análise inicial dos documentos enviados revelou outras possíveis irregularidades: “O contrato prevê que os caminhões deveriam ter até dois anos de uso na compra, com vida útil de até cinco anos. No entanto, identificamos veículos adquiridos em 2021, fora do prazo contratual; ou seja, já em desacordo com as cláusulas estabelecidas com a prefeitura”.
O presidente da CEI, Welton Lemos, garantiu que todos os documentos recebidos serão de acesso público e disponibilizados aos membros da comissão para as oitivas. A investigação promete trazer à tona detalhes sobre a execução do contrato de limpeza urbana em Goiânia, com foco na transparência e na qualidade dos serviços prestados à população goianiense.
