Fux Vota por Anulação em Ação sobre Trama Golpista, Apontando Cerceamento de Defesa

Fux Vota por Anulação em Ação sobre Trama Golpista, Apontando Cerceamento de Defesa

Em uma decisão que pode alterar o curso da ação penal que investiga uma suposta tentativa de golpe após as eleições de 2022, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quarta-feira (10/9) a favor da alegação de cerceamento de defesa apresentada pelos advogados dos réus, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados.

Fux divergiu do relator, ministro Alexandre de Moraes, e do ministro Flávio Dino, que haviam rejeitado as preliminares da defesa. O ponto central da discordância reside no grande volume de dados – mais de 70 terabytes – anexados ao processo e no tempo considerado insuficiente para análise por parte das defesas.

Segundo o ministro Fux, a disponibilização tardia dos dados configurou um “tsunami de dados”, termo que ele também descreveu como “document dumping”. Para ele, a defesa não teve tempo hábil para verificar as provas, o que justifica a anulação do processo até o momento do recebimento da denúncia. “Apenas em meados de maio, cerca de cinco dias antes do início da oitiva das testemunhas, a Polícia Federal enviou links de acesso para as defesas”, observou o ministro, complementando que novos arquivos foram incluídos no decorrer da instrução processual.

Além disso, Fux votou por afastar a imputação do crime de organização criminosa armada aos réus, argumentando que a acusação não demonstrou que a reunião entre os réus teve como objetivo a prática de um número indeterminado de delitos, conforme exigido por lei. “A acusação, em síntese, não indicou que os réus teriam se reunido para a prática de crimes indeterminados ou para uma série indeterminada de delitos, elemento necessário para a caracterização do crime de organização criminosa”, afirmou.

O julgamento, que teve início em 2 de setembro, deve se estender até sexta-feira (12), com os votos pendentes das ministras Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Além de Bolsonaro, são réus o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-ministro do GSI Augusto Heleno, os ex-ministros da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto, e Mauro Cid.

A decisão de Fux insere uma nova dinâmica no julgamento e reacende o debate sobre a condução do processo, com potencial impacto para o futuro da ação e para os acusados.

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