TJGO publica diretrizes contra litigância predatória nos Juizados de Goiás
TJGO edita nota técnica com diretrizes para identificar litigância predatória nos Juizados Especiais
Diante de uma crescente onda de processos repetitivos que ameaçam a celeridade do sistema judicial, o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) implementou uma nova diretriz para combater a litigância predatória e as demandas abusivas. Materializada na Nota Técnica nº 01/2026, a iniciativa, publicada recentemente, visa fortalecer a atuação dos Juizados Especiais goianos, oferecendo orientações detalhadas para magistrados em todo o estado.
O cenário que motivou a publicação do documento é o volume expressivo de ações com características similares que sobrecarregam o Judiciário goiano, um fenômeno que impacta diretamente a celeridade e a qualidade da prestação jurisdicional. Em declaração, o desembargador Gerson Santana Cintra, que ocupa a 2ª vice-presidência do TJGO e coordena o Sistema dos Juizados Especiais, reforçou a urgência da medida. “Queremos garantir a eficiência da prestação jurisdicional e a preservação das garantias processuais fundamentais”, pontuou o magistrado, sublinhando o compromisso com a integridade do sistema.
A elaboração da Nota Técnica nº 01/2026 coube à Coordenadoria do Sistema dos Juizados Especiais, com a crucial colaboração do Núcleo Especial de Averiguações (NEA). O texto serve como um guia abrangente, orientando os magistrados a adotarem uma análise aprofundada e contextualizada de cada processo. A diretriz enfatiza a necessidade de identificar padrões que, quando observados em conjunto, sinalizem o uso indevido da máquina judicial, ressaltando que a detecção da litigância predatória não deve se apoiar em um único fator, mas sim em uma convergência de indícios apurados na realidade de cada demanda.
Padrões de Abuso Processual Identificados
A Nota Técnica do TJGO delineia uma série de elementos-chave que podem indicar a presença de litigância predatória. Entre os principais sinais de alerta, destaca-se o ajuizamento em larga escala de ações que utilizam petições com estrutura padronizada, conteúdo genérico ou que falham em individualizar adequadamente os fatos.
Adicionalmente, a concentração frequente de ações sobre temas específicos é outro forte indicativo de demandas abusivas. Exemplos incluem disputas relacionadas a cartões de crédito consignado, registros indevidos em cadastros de inadimplentes e contratos bancários padronizados. O comportamento incomum de alguns advogados também está sob escrutínio, com ênfase na manipulação deliberada para escolher a vara judicial e a apresentação repetida de comprovantes de endereço que se mostram inconsistentes ou fraudulentos.
Tecnologia no Combate à Litigância Predatória
No esforço para aprimorar a triagem e a identificação eficaz dessas demandas, o TJGO ressalta a importância das ferramentas tecnológicas já integradas ao seu sistema judicial. O sistema Berna emerge como um aliado fundamental, aplicando inteligência artificial para detectar semelhanças entre diferentes processos e gerar alertas de forma automatizada.
Complementarmente, são encorajadas as consultas ao sistema Projudi, utilizando dados como o CPF das partes envolvidas e o número de registro dos advogados na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Os relatórios gerados pelo Sistema de Gestão e Controle da Corregedoria-Geral da Justiça de Goiás (Sigescon) também representam um recurso valioso para essa análise. É crucial sublinhar que, embora essas tecnologias ofereçam um suporte significativo, a nota técnica estabelece claramente que seu papel é complementar à análise judicial. Elas não devem, em hipótese alguma, substituir a avaliação individual e pormenorizada que cada caso exige dos magistrados, mantendo o foco na justiça para cada cidadão.
Fonte e Fotos: ROTA JURÍDICA
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