Obesidade infantil supera desnutrição no mundo, impulsionada por ultraprocessados
© Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Um relatório recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revela um cenário preocupante em relação à saúde infantil global. Atualmente, cerca de 391 milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo estão acima do peso, com 188 milhões enfrentando obesidade. Essa situação alarmante marca uma inversão histórica, onde o “excesso de peso grave superou a desnutrição como a maior forma de má nutrição infantil”.
O estudo, que analisou dados de mais de 190 países, aponta que, entre 2000 e 2022, a prevalência da desnutrição em crianças e adolescentes de 5 a 19 anos diminuiu, enquanto as taxas de obesidade aumentaram significativamente. No Brasil, essa tendência já se manifesta há algumas décadas, com um aumento expressivo nos índices de obesidade e sobrepeso entre crianças e adolescentes.
As maiores taxas de obesidade foram observadas em países das Ilhas do Pacífico, impulsionadas pela “substituição da alimentação tradicional por alimentos ultraprocessados, que são mais baratos”. No entanto, a preocupação com o consumo de ultraprocessados e as altas taxas de obesidade se estende a países de alta renda, como Chile, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos.
A diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, expressa preocupação com essa situação, afirmando que “A obesidade é uma preocupação crescente que pode impactar a saúde e o desenvolvimento das crianças. Os alimentos ultraprocessados estão substituindo cada vez mais frutas, vegetais e proteínas, justamente quando a nutrição desempenha um papel crítico no crescimento, desenvolvimento cognitivo e saúde mental das crianças”.
Segundo o relatório, essa mudança é influenciada por “ambientes alimentares prejudiciais que estão moldando a dieta das crianças, para privilegiar alimentos ultraprocessados e fast foods”, ricos em açúcar, amido refinado, sal, gorduras não saudáveis e aditivos.
O Unicef alerta que o excesso de peso na infância pode levar ao desenvolvimento de resistência à insulina, pressão alta e doenças graves na vida adulta, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer. A organização estima que, se medidas preventivas não forem implementadas, o impacto econômico global do sobrepeso e da obesidade pode ultrapassar US$ 4 trilhões por ano até 2035, “por causa das consequências na saúde pública”.
Apesar do cenário preocupante, o relatório destaca o Brasil como um exemplo positivo, mencionando iniciativas como “a restrição progressiva da compra de ultraprocessados no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE); a vedação de propagandas de alimentos não saudáveis para crianças; a rotulagem frontal, que destaca quando um produto é rico em substâncias nocivas, como açúcar e sódio; e a proibição do uso de gorduras trans na produção de alimentos”.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-09/unicef-obesidade-infantil-supera-desnutricao-pela-1a-vez-no-mundo
