Senador Kajuru inicia tratamento com quetamina para depressão severa e reacende debate sobre uso terapêutico da substância
Foto: Reprodução / Redes Sociais
O senador goiano Jorge Kajuru (PSB) revelou nesta segunda-feira (28) que está em tratamento psiquiátrico com quetamina para enfrentar um quadro severo de depressão, insônia, ansiedade e fraqueza muscular. O procedimento é conduzido pela psiquiatra Carla Gaiger, em Brasília, e marca uma nova etapa na tentativa de recuperação do parlamentar, conhecido por tratar abertamente questões de saúde em sua trajetória pública.
A quetamina, originalmente usada como anestésico desde a década de 1960, tem ganhado espaço nos últimos anos como alternativa terapêutica para casos de depressão resistente — especialmente em pacientes que não respondem a medicamentos convencionais. No Brasil, o uso é permitido em protocolos específicos do SUS, sob supervisão médica rigorosa.
“Quem está me curando é a psiquiatra Carla Gaiger”, escreveu Kajuru nas redes sociais, onde compartilhou vídeo explicando sua condição e a decisão de iniciar o novo protocolo. A escolha pelo tratamento ocorre em meio a uma crescente atenção à substância, que também é alvo de uso recreativo e ilegal em festas eletrônicas, onde é conhecida como “key”.
Apesar de eficaz em contextos clínicos, a quetamina possui efeitos dissociativos e, quando consumida sem controle, pode causar dependência e sérios riscos à saúde. O caso recente da ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso, que morreu em Manaus supostamente por overdose da substância, acendeu o alerta sobre os perigos do uso indiscriminado.
Kajuru, ao tornar pública sua experiência, contribui para ampliar o debate sobre a saúde mental e o uso de terapias alternativas em casos graves. Especialistas reforçam que a quetamina pode ser eficaz, mas requer uso controlado e acompanhamento rigoroso. “Ela pode ser uma aliada poderosa, mas não é milagre”, alerta a psiquiatra Valéria Pereira Silva, do Hospital Universitário da UFSC.
O senador não informou a duração prevista do tratamento nem os resultados obtidos até o momento, mas se disse confiante. A iniciativa também pode ajudar a reduzir o estigma sobre transtornos mentais, especialmente entre figuras públicas, e abrir espaço para discussões mais amplas sobre avanços na psiquiatria e acesso a tratamentos inovadores.
