Luto no jornalismo e no humor gráfico: a partida de Jorge Braga é irreparável
Foto: Wesley Costa/O Popular
Morreu nesta terça-feira, 1º de julho de 2025, em Goiânia, o cartunista e jornalista Jorge Braga, aos 67 anos, vítima de complicações associadas ao enfisema pulmonar . Com uma carreira de impressionantes 53 anos, iniciada aos 13, em jornais escolares, Braga se tornou um dos principais ilustradores do Brasil .
Sua trajetória profissional, iniciada nos jornais “Cinco de Maio” ainda em meados dos anos 1970, fez dele presença constante em veículos como O Popular, Diário da Manhã, Opção, Folha de Goiás e diversos outros de âmbito nacional e até internacional . Seu traço inconfundível e crítica sagaz deram origem a personagens icônicos como Super Badião, Romãozinho e Perebão, figuras profundamente brasileiras, que dialogavam com a sociedade e os absurdos da política .
A importância de Braga também se estende ao campo cultural: a Gibiteca Jorge Braga, inaugurada em 1994 na Praça Cívica, foi um projeto que só reforça seu impacto no incentivo à leitura e produção de quadrinhos em Goiás. O acervo, hoje com mais de 6 a 17 mil títulos, é um monumento vivo ao seu legado .
Fãs e colegas prestaram condolências e destacaram que “vai fazer falta”, destacando a irreverência e inteligência das charges de Braga . Políticos locais, como o prefeito Sandro Mabel e o governador Ronaldo Caiado, também manifestaram pesar e ressaltaram o peso da perda para a cultura goiana e brasileira .
Braga foi mais que um desenhista, foi cronista gráfico da vida política e social do Estado e do país, tradutor de dúvidas, risos e indignações por meio de traços. Num tempo em que o humor gráfico enfrenta ameaças e sofre pressões, sua obra reafirmava o poder da charge livre e afiada. Com a Gibiteca, Jorge Braga dedicou sua vida a formar novos leitores, quadrinistas e críticos. A morte dele deixa um vazio na formação cultural de gerações.
Jorge Braga não era apenas um cartunista brilhante: era um patrimônio público. A arte que exercia no cotidiano impresso, e que hoje se espalha por redes, possuía a rara capacidade de provocar reflexão e dar voz ao pensamento esperto e crítico da sociedade goiana.
É uma perda profunda. Perdemos um intérprete do nosso tempo, perdido o olhar sagaz e bem-humorado que enxergava, com pincel e humor, a essência das raízes brasileiras. Sua ausência será sentida, sobretudo, nas páginas de jornais que ainda respiram o oxigênio da boa crítica, desenhada com humor, irreverência e elegância.
À família, amigos e companheiros de ofício, nosso abraço solidário. À Gibiteca, que sua missão siga viva e inspire, como Braga desejava, novas gerações de cartunistas, leitores e sonhadores. Um desejo de toda equipe do Extra News Goiás.

