Universidade Federal de Viçosa estima perda de até 55% nas lavouras de soja sem controle

Estudo mostra necessidade de proteger soja para evitar perdas

© CNA/Wenderson Araujo/Trilux

Perdas na soja podem alcançar 55% sem proteção contra pragas, doenças e plantas daninhas, segundo simulações de um estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV) feito em parceria com a Croplife Brasil, associação que reúne empresas de biotecnologia, melhoramento genético e defensivos agrícolas.

O levantamento comparou três situações de cultivo e apontou efeitos sobre a produção, o comércio exterior e os preços ao consumidor. No cenário de controle ótimo, a produtividade estimada foi de 72 sacas por hectare. Com controle parcial, caiu para 52 sacas; sem manejo, ficou em 32 sacas.

Perdas na soja nas simulações

De acordo com o estudo, a falta de controle poderia exigir o plantio de 33,5 milhões de hectares adicionais para compensar a produção perdida, área quase equivalente ao tamanho de Goiás. A perda média projetada chegaria a 121,3 milhões de toneladas, com valor estimado de R$ 223,5 bilhões.

A receita brasileira simulada com exportações seria de US$ 44,2 bilhões no cenário de controle ótimo e de US$ 26,6 bilhões sem controle, diferença de US$ 17,6 bilhões por safra. A redução da oferta poderia elevar o preço da soja em até 49% e acrescentar cerca de 0,26 ponto percentual ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo o estudo.

A pesquisadora da UFV Ana Carolyne Carvalho afirmou: “Essa redução da produtividade da soja, lá no produtor, acaba tendo um impacto significativo no preço da soja e na disponibilidade dos produtos no mercado final”. Segundo ela, o efeito chegaria a itens como óleo, farelo, carnes de porco e de frango.

Manejo reúne diferentes formas de proteção

As simulações consideraram quatro doenças, incluindo ferrugem-asiática e mancha-alvo, cinco pragas, como a mosca-branca, e nove plantas daninhas. Entre as formas de proteção analisadas estão biotecnologia, melhoramento genético, bioinsumos e defensivos químicos. O manejo integrado combina dois ou mais desses métodos.

Manejo fitossanitário é o conjunto de ações usado para proteger a plantação contra organismos que reduzem a produtividade. A estratégia pode envolver medidas preventivas e diferentes tecnologias, conforme o tipo de doença, praga ou planta daninha encontrada.

O uso de defensivos químicos é alvo de controvérsia. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou que o consumo no país passou de 180 mil para 800 mil toneladas anuais entre 2003 e 2023. No mesmo período, a soja, o milho e a cana-de-açúcar responderam por 76% do consumo de agrotóxicos no Brasil.

Dados divulgados pela organização não governamental Repórter Brasil, com base no Ministério da Saúde, registraram 73.391 casos de intoxicação por agrotóxicos entre 2015 e 2025, sendo 9.729 em 2025. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) também aponta riscos à saúde e ao ambiente, enquanto a Croplife Brasil afirma que os produtos passam por estudos e devem ser aplicados conforme as recomendações.

Créditos da imagem: © CNA/Wenderson Araujo/Trilux


Com informações da Agência Brasil

Redação Extra News Goiás
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