IBGE aponta 1,9 milhão de pessoas que trabalharam por aplicativos no Brasil em 2025
© Paulo Pinto/Agência Brasil
Trabalhadores por aplicativo somaram 1,959 milhão em 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O grupo correspondia a 1,9% das pessoas ocupadas no país e reunia profissionais de transporte, entregas e prestação de serviços por plataformas digitais.
Os números fazem parte de um módulo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgado pelo IBGE no dia 4. O levantamento considerou pessoas com 14 anos ou mais que usavam aplicativos para trabalhar.
Jornadas maiores reduzem ganho por hora
A jornada semanal média dos trabalhadores de aplicativos foi de 44,7 horas, contra 39,3 horas entre os ocupados que não utilizavam plataformas. A diferença chegou a 5,4 horas por semana.
O rendimento médio mensal do trabalho principal ficou em R$ 3.147 para os plataformizados e em R$ 3.148 para os demais trabalhadores. Como as médias mensais estavam no mesmo patamar, mas a jornada era maior entre os profissionais de aplicativos, o ganho por hora ficou em R$ 16,2, valor 12% inferior aos R$ 18,4 dos não plataformizados.
Entre motoristas de aplicativos de transporte, exceto táxi, e entregadores, a principal razão apontada para entrar nessa atividade foi não conseguir outro trabalho. Flexibilidade e renda maior do que a oferecida em outras ocupações também foram citadas.
A pesquisa registrou ainda maior presença de informalidade e menor cobertura previdenciária entre os trabalhadores de plataformas. O IBGE considera informais os empregados sem carteira assinada e os autônomos sem Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).
Perfil dos trabalhadores por aplicativo
Do total, cerca de 1,2 milhão atuavam no transporte de passageiros, o equivalente a 58,9%. Desse grupo, 1,1 milhão usavam plataformas como Uber e 99, enquanto 232 mil trabalhavam exclusivamente com aplicativos de táxi.
As entregas de comida e produtos reuniam 376 mil pessoas, ou 19,2% do total. Outros 313 mil prestavam serviços gerais ou profissionais, como design, tradução e consultas de telemedicina, participação equivalente a 16%. A área de transporte, armazenagem e correios concentrava 75% dos trabalhadores de aplicativos.
O IBGE chamou esses profissionais de “plataformizados”. A Pnad sobre o tema é experimental, o que significa que está em fase de teste e avaliação. A edição de 2025 incluiu quem usava os aplicativos como atividade principal ou como fonte complementar de renda; por isso, o total não pode ser comparado diretamente com os levantamentos anteriores.
Considerando só quem tinha os aplicativos como ocupação principal, o número chegou a 1,8 milhão. Esse recorte registrou crescimento de 9,1% em um ano e de 36,8% em três anos. Entre 2024 e 2025, o número de entregadores aumentou 18,6%.
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne empresas do setor, reconheceu a importância da pesquisa, mas afirmou que o estudo “tem limitações”. A entidade disse que os resultados apresentam “deficiências metodológicas” e defendeu uma regulamentação que combine proteção aos trabalhadores e flexibilidade. O IBGE informou que 80,2% dos motoristas de transporte, exceto táxi, disseram depender totalmente das plataformas para definir o valor de cada tarefa.
Créditos da imagem: © Paulo Pinto/Agência Brasil
Com informações da Agência Brasil
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