Federação de ginecologia e obstetrícia alerta para descuido com saúde mental após perda gestacional
© Tomaz Silva/Agência Brasil
O cuidado com a saúde mental depois de uma perda gestacional ainda é negligenciado, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). A entidade aproveita o Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio, para chamar atenção aos efeitos emocionais desse tipo de experiência.
A perda gestacional é a interrupção involuntária da gravidez que pode ocorrer até a 20ª semana. O obstetra Romulo Negrini, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério da Febrasgo, afirma que o episódio pode causar tristeza profunda, culpa, ansiedade, insônia, irritabilidade e perda de interesse pelas atividades diárias.
Sintomas exigem cuidado especializado
Segundo o obstetra Eduardo Felix Martins Santana, entre 15% e 20% das gestações não evoluem. Ele defende que a mulher receba apoio médico, familiar e de amigos para atravessar o luto. “É muito importante que a mulher não passe por isso sozinha”, afirmou.
A psiquiatra Andréa Cristina Galastri, professora do Instituto de Educação Médica (Idomed), explica que as alterações hormonais relacionadas à perda podem durar cerca de 15 dias e influenciar o estado emocional. Ela diz que a persistência de ansiedade, depressão, falta de apetite, insônia e choro contínuo pode indicar um quadro que precisa de tratamento.
O sofrimento faz parte da reação à perda, de acordo com a médica. Quando há depressão ou luto patológico, a assistência pode incluir psicoterapia e medicação. A Febrasgo também defende que os médicos procurem acompanhar a paciente, sem esperar que ela volte ao consultório já deprimida.
A avaliação profissional ajuda a diferenciar uma reação esperada do luto de sinais que comprometem as atividades e a rotina. O atendimento pode envolver profissionais de saúde e a rede de apoio da mulher.
Relatos ajudam a romper o silêncio
Kalyane Ribeiro, que vive em Campinas, no estado de São Paulo, passou por uma perda gestacional aos 32 anos, depois de um ano e meio de tentativas para engravidar. Hoje, aos 34 anos, ela mantém uma comunidade nas redes sociais e escreveu o livro Ainda me Sinto Mãe, com relatos sobre a experiência.
“Quando a gente passa por uma perda gestacional, mesmo que seja precoce, a gente entra em um buraco”, disse Kalyane. Ela conta que criou uma conta no TikTok e passou a conversar com mulheres que enfrentaram situações semelhantes.
Pessoas com pensamentos de acabar com a própria vida devem procurar familiares, amigos, educadores ou serviços de saúde. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, por e-mail, chat e voip, 24 horas por dia, todos os dias.
Créditos da imagem: © Tomaz Silva/Agência Brasil
Com informações da Agência Brasil
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