Vorcaro afirma que doações para Bolsonaro e Tarcísio teriam origem em supostas propinas
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A proposta de delação de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, afirma que os R$ 5 milhões destinados às campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022 teriam sido contrapartidas financeiras de um acordo envolvendo supostas propinas.
Os repasses foram feitos por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na operação Compliance Zero. Tarcísio teria recebido R$ 2 milhões, enquanto Bolsonaro teria recebido R$ 3 milhões. Segundo o relato, o acerto estaria ligado à continuidade do cartão consignado Credcesta no governo de São Paulo.
Delação de Daniel Vorcaro foi rejeitada
O conteúdo sobre as doações apareceu nas três versões da proposta apresentada por Vorcaro às autoridades. As propostas foram recusadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, sob a justificativa de que não traziam ineditismo nem elementos de corroboração. Depois, o ex-banqueiro voltou a manifestar interesse em colaborar durante audiência no gabinete do ministro André Mendonça, relator da operação Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal (STF), mas a Procuradoria-Geral da República rejeitou novamente o pedido por falta de fatos novos.
O relato também menciona cerca de R$ 10 milhões em supostas doações informais, por meio de caixa dois, entregues em espécie a pessoas indicadas por Gilberto Kassab. Vorcaro declarou que os pagamentos formais e em dinheiro teriam ocorrido e que a contrapartida teria sido a permanência do Credcesta no governo paulista por mais de um ano.
Tarcísio negou ter conhecimento dos fatos. O governador afirmou que sua campanha teve mais de 600 doadores, seguiu a legislação eleitoral e teve as contas aprovadas pela Justiça Eleitoral. Também disse não ter relação com Zettel nem conhecimento de eventuais condutas de terceiros.
Kassab classificou o relato como “absolutamente fantasioso” e sem “qualquer sustentação factual”. Ele negou ter tratado de doações, Credcesta ou pagamentos em espécie com Augusto Lima e Thiago Botelho, além de afirmar que nunca teve contato com Vorcaro. A defesa de Lima declarou que não comentaria informações que considerou “absurdas”.
Credcesta avançou em São Paulo
O Credcesta é um cartão de crédito consignado para servidores públicos, operado pela PKL One Participações, empresa associada ao Master e ligada a parentes de Augusto Lima, sócio de Vorcaro. Em março de 2022, o governo de João Doria autorizou empresas como a PKL a oferecer esse tipo de crédito a servidores civis e militares, aposentados e reformados. As operações começaram em julho, durante a gestão de Rodrigo Garcia.
Na versão apresentada por Vorcaro, Lima teria procurado Kassab para assegurar a continuidade do produto caso Tarcísio assumisse o governo. A proposta mencionava o repasse de 5% do resultado líquido do Credcesta em São Paulo e contribuições eleitorais. Vorcaro afirmou que acionou Zettel para fazer os pagamentos e que o empresário não saberia das supostas motivações.
Uma proposta de delação premiada é uma oferta de colaboração feita por alguém investigado ou envolvido em um caso às autoridades. O conteúdo precisa ser avaliado pelos órgãos responsáveis, que podem aceitar ou rejeitar o acordo conforme os requisitos apresentados.
Tarcísio afirmou que o credenciamento da PKL ocorreu em maio de 2022, ainda na gestão anterior, e não representava contrato ou repasse de recursos públicos. Em 9 de dezembro de 2024, ele editou decreto que ampliou o mercado de consignado para outras instituições. O credenciamento da PKL foi suspenso após o escândalo envolvendo o Banco Master.
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