Governo fixa em R$ 5,1 mil novo piso nacional do magistério

© Divulgação/Leia Brasil

O estado do Piauí se destaca como um modelo nacional no ensino médio público. A unidade federativa foi pioneira e é a única do Brasil a ter 100% de suas escolas estaduais de ensino médio operando em formato integral. Essa transformação foi construída em poucos anos, entre 2022 e 2025, provando que é viável expandir o ensino de tempo ampliado com qualidade, mesmo para estados com menos recursos.

A superintendente de Políticas Educacionais do Instituto Natura, Maria Slemenson, ressaltou que a principal barreira para acelerar a transição do ensino parcial para o integral não é financeira. Segundo ela, o desafio maior é a gestão governamental sustentada ao longo do tempo. Maria Slemenson afirma que “estados com menos capacidade fiscal, quando tratam o tempo integral como prioridade de governo, conseguem avançar tão rápido quanto, ou mais rápido, que estados mais ricos.”

Melhoria no aprendizado

Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025, aliados a uma análise inédita que cruza o desempenho escolar com o Indicador de Nível Socioeconômico (INSE) dos estudantes, apontam que escolas de ensino médio integral apresentam performance superior em todos os níveis socioeconômicos. A vantagem é mais pronunciada entre os estudantes vulneráveis. As 1.166 escolas integrais de níveis socioeconômicos II e III exibem um ganho de 0,6 pontos no Ideb, um desempenho 15% maior em comparação com as 1.713 escolas parciais do mesmo nível.

Os impactos também são notados no Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) 2025. Em matemática, alunos de escolas integrais de baixo nível socioeconômico obtiveram 23 pontos a mais que os do ensino parcial, o que equivale a 4,6 anos adicionais de aprendizado. Na língua portuguesa, o ganho foi de 21 pontos, representando uma aceleração de 3,2 anos de escolarização para jovens em situação de maior vulnerabilidade. Maria Slemenson explica que “o tempo extra é usado para dois movimentos […] avançar no conteúdo da série e, ao mesmo tempo, recompor o que ficou para trás”.

Equidade e o método

A análise revela ainda que a modalidade de ensino integral é particularmente benéfica para a inclusão racial. Cerca de 74% das escolas integrais do país atendem estudantes majoritariamente pretos, pardos ou indígenas (PPIs). Em instituições onde mais de 80% dos alunos são PPIs, a nota média do Ideb alcança 4,9 no formato integral, contra 4,3 no parcial, um avanço de 0,6 ponto. Segundo Maria Slemenson, “o Ideb comprova, com dado concreto, que o tempo integral tem um efeito equalizador racial, além do efeito socioeconômico.”

O sucesso do ensino médio integral não se resume ao aumento de horas na escola, mas à forma como esse tempo é empregado. O modelo pedagógico é sustentado por pilares como a construção do projeto de vida e protagonismo juvenil, o acolhimento para acompanhamento socioemocional, o aprendizado na prática e a orientação de estudos com tutoria. A superintendente do Instituto Natura observa que “o ganho em leitura e escrita se conecta ao tempo maior na escola, à proximidade com o corpo docente e à conexão com o projeto de vida.” Ela complementa que “Para o aluno de baixa renda, que muitas vezes não tem em casa o suporte, esse modelo pesa ainda mais.”

Índice que mede a qualidade

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é um indicador que anualmente avalia a qualidade do ensino em escolas públicas e privadas do Brasil. Ele combina informações de desempenho em avaliações padronizadas, como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), com dados de fluxo escolar, como taxas de aprovação e reprovação. O objetivo é fornecer um panorama da educação em cada etapa de ensino, auxiliando na identificação de desafios e na formulação de políticas públicas.

Desafios de ampliação

Apesar dos benefícios comprovados, a expansão do ensino médio integral ainda enfrenta desafios. Em 2025, as escolas 100% integrais somam 4.235 unidades no país, correspondendo a 21% do total e cerca de 214 mil matrículas urbanas avaliadas. No entanto, o modelo de jornada parcial ainda concentra mais de 1 milhão de estudantes. O Instituto Natura defende que a política de Ensino Médio Integral seja reconhecida como inegociável para o desenvolvimento do Brasil. Maria Slemenson afirma que “universalizar o tempo integral com qualidade é uma escolha possível mesmo para estados com menos recursos financeiros disponíveis”.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026-08/ensino-integral-acelera-aprendizado-de-vulner%C3%A1veis-aponta-estudo

Redação Extra News Goiás
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