Candidatos iniciam campanha presidencial em redutos eleitorais

© Paulo Pinto e Fernando Frazão/ Agência Brasil

Goiás foi o ponto de partida para o início da campanha presidencial de Ronaldo Caiado (PSD) neste domingo (16). O ex-governador escolheu o estado que administrou de 2019 a março deste ano para dar o pontapé inicial em sua corrida pelo Palácio do Planalto, onde, segundo pesquisas eleitorais, lidera as intenções de votos.

A movimentação de Caiado começou por cidades do entorno do Distrito Federal em Goiás. Ele percorreu Águas Lindas de Goiás, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso e Cidade Ocidental, concluindo o primeiro dia de atos de campanha em Luziânia. O candidato afirmou que em sua gestão em Goiás, ele implementou melhorias nas áreas de segurança pública, educação e saúde.

Sistema garante eleições transparentes

A Justiça Eleitoral é o conjunto de órgãos que tem como principal função organizar, fiscalizar e julgar todo o processo eleitoral no Brasil. Seu papel é assegurar a transparência, lisura e legitimidade das eleições, desde o registro de candidaturas até a proclamação dos resultados, garantindo que as regras sejam cumpridas por todos os envolvidos. Após o início oficial da campanha, a fiscalização se intensifica, buscando coibir eventuais irregularidades.

Outras frentes da campanha presidencial

O domingo (16) marcou a largada oficial da campanha nas ruas em todo o Brasil, liberada pelo cronograma estabelecido pela Justiça Eleitoral. A Lei das Eleições e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelecem que as manifestações públicas são permitidas até 3 de outubro, véspera do primeiro turno. Os comícios, por sua vez, podem ser realizados entre 8h e meia-noite, tendo como data-limite 1º de outubro.

Enquanto Caiado se concentrava em Goiás, outros candidatos à presidência também realizaram seus primeiros compromissos pelo país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em sua sétima candidatura, iniciou a sua busca pelo quarto mandato com um comício no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, na Região Metropolitana de São Paulo. A escolha do local está ligada à história política do petista, que foi palco de assembleias de operários das metalúrgicas do ABC e de greves significativas em 1979, durante a ditadura militar. Lula conclamou a militância à participação ativa, dizendo que “A partir de hoje, só vamos dormir direito em 5 de outubro. Cada militante nosso tem de andar com a comparação do que nós fizemos e do que os outros fizeram”.

Flávio Bolsonaro (PL) deu início à campanha presidencial na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, um ponto conhecido por acolher manifestações de bolsonaristas, inclusive atos contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. No carro de som, por volta das 11h30, o candidato vestia uma camiseta com a frase “Meu Partido é o Brasil”, acompanhado do vice Alfredo Gaspar, da mãe Rogéria e da esposa Fernanda. Flávio prometeu levar adiante o legado do pai, afirmando que “Sei que pareço com ele [Jair, pela semelhança física]. Mas é difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé”.

Propostas e posicionamentos dos candidatos

Caiado declarou que sua participação no pleito tem como objetivo “para tirar o PT do poder”. O candidato assegurou que, se não chegar ao segundo turno, não apoiará Luiz Inácio Lula da Silva. Essa posição diverge da fala de seu vice, Gilberto Kassab, presidente do PSD, que havia declarado que os partidos do chamado Centrão “estão com Lula”. Caiado se apresentou como o único político com mandato no Brasil que nunca deu suporte a Lula. Questionado sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro, que o supera em pesquisas nacionais, o goiano comentou que “Não adianta lançar um candidato [de oposição] que, ao chegar lá, vai ter que ficar explicando seus problemas. Este não ganha a eleição”. Ele também destacou a importância de os eleitores analisarem as propostas de responsabilidade orçamentária e equilíbrio fiscal.

Flávio defendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que a prisão foi injusta. Ele prometeu, em caso de vitória, nomear quatro novos ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF), com a condição de serem “homens e mulheres”, destacando que a Corte hoje tem apenas uma ministra, Cármen Lúcia. Entre os principais pontos de seu discurso estava a segurança pública, com promessas de classificar milícias e organizações do tráfico como “terroristas”, reduzir a idade penal e combater roubos, furtos e feminicídios. Na economia, criticou a taxa de juros elevada no país, com a Selic em 14% anuais, e prometeu aliviar a inflação para a classe média, propondo um “tesouraço” e cortes de gastos e cargos logo no início do mandato.

O presidente adiantou as principais diretrizes de sua campanha, enfatizando a defesa da soberania, pautas sociais e as divergências com partidos de direita, como a questão do papel da mulher e as distintas visões sobre segurança pública. Em sua sétima corrida presidencial, Lula criticou a direita, declarando que “enquanto for vivo não vai permitir que uma direita responsável pela morte de crianças sem remédio e pela morte de 400 mil pessoas sem vacina volte”. Para a segurança pública, defendeu propostas em curso, como a criação de um ministério e a possível aprovação de uma lei de combate ao crime organizado, com foco nos grandes beneficiários.

Outros nomes na disputa nacional

Além dos três, outros candidatos também iniciaram suas atividades. Romeu Zema (Novo), que já governou Minas Gerais, iniciou sua campanha presidencial em Montes Claros, na região norte do estado. Ele participou de uma missa na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José e de um almoço com candidatos de seu partido a deputado federal. Zema criticou o governo Lula e projetou um segundo turno, afirmando: “O que eu fiz aqui [em Montes Claros] eu vou fazer no Brasil. Sem roubalheira, sem corrupção e com gente competente”.

Renan Santos (Missão) realizou seu primeiro ato de campanha no Largo São Francisco, centro de São Paulo, abordando empreendedorismo, segurança pública e criticando o assistencialismo. Ele disse: “Nós estamos aqui para colocar o nosso nome na história como a geração que alterou o destino de uma das maiores nações do mundo”. Augusto Cury (Avante) começou a campanha em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), apresentando seu plano de governo com projetos na área da Saúde e prometendo um mandato que vai “escutar as pessoas”. Cury descreveu como encara a política: “Nós não estamos em dois barcos, direita e esquerda, esquerda e direita. Estamos num barco só chamado família brasileira. Quem dirige esse barco tem de dirigir com responsabilidade”.

Hertz Dias (PSTU), professor da rede pública e ativista do movimento negro, caminhou na Avenida Paulista, em São Paulo, e em São José dos Campos. Ele apresentou a reestatização de empresas estratégicas como principal proposta, criticando a concentração de riqueza: “O Brasil produz riquezas imensas. O problema é que essa riqueza está nas mãos de uma minoria de banqueiros, [empresas] multinacionais e grandes empresários”. Samara Martins, da Unidade Popular (UP), realizou um evento com militantes em São Paulo, enquanto Edmilson Costa (PCB) participou de uma live. Os candidatos Clariana Barão (DC), Rui Costa Pimenta (PCO), Wilson Grassi (Democrata) e Pablo Marçal (PRTB) não informaram suas agendas para o domingo.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-08/candidatos-iniciam-campanha-presidencial-em-redutos-eleitorais

Redação Extra News Goiás
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