Brasil não deixará de negociar tarifas impostas pelos EUA, diz Durigan

© Tomaz Silva/Agência Brasil

O governo brasileiro está avaliando a adoção de medidas de reciprocidade diante da recente taxação dos EUA sobre produtos nacionais, conforme anunciou o Ministro da Fazenda, Dario Durigan, em São Paulo, na última sexta-feira (17). A decisão surge após a imposição de tarifas de 25% pelos Estados Unidos, que o Brasil considera injusta e desprovida de fundamento econômico, sinalizando que não haverá inação frente à situação comercial.

Resposta Brasileira à Taxação dos EUA

Durigan esclareceu que o movimento do Brasil não se configura como uma retaliação, mas sim a aplicação de um procedimento legalmente estabelecido. A iniciativa visa proteger os interesses da economia brasileira em um contexto de “ataques injustificados ou unilaterais” de outras nações, utilizando um mecanismo aprovado unanimemente pelo Congresso Nacional.

“Não cabe falar em retaliação, essa é uma palavra que está fora do nosso escopo. Com o que a gente trabalha: o Congresso Nacional aprovou por unanimidade uma lei que protege os interesses nacionais oferecendo um procedimento próprio para ser utilizado em casos de ataque injustificado ou unilateral de outros países. Nós estamos tomando muito cuidado com isso e não é um cuidado em relação aos Estados Unidos, é em relação à nossa economia”, declarou o ministro.

Cautela na Avaliação das Medidas de Reciprocidade

O Ministro Dario Durigan enfatizou que a análise das potenciais medidas de reciprocidade está sendo conduzida com a máxima cautela, em diálogo com o setor empresarial, antes de qualquer proposta ser levada ao presidente. A preocupação central é manter a estabilidade econômica e a trajetória de crescimento do país.

“Estamos avaliando [junto com os empresários] com cautela o processo de reciprocidade que o Congresso nos ofereceu para que a gente leve ao presidente. Isso não está sendo feito de maneira açodada, portanto não cabe falar em retaliação e a reciprocidade tem sido avaliada para ser usada na medida e no tempo correto”, explicou Durigan.

Injustiça e Argumentos Econômicos do Brasil

Para o governo brasileiro, as tarifas americanas são inaceitáveis, especialmente porque, do ponto de vista econômico, o Brasil defende ter a razão no debate. A administração de Dario Durigan mantém a postura de não recuar nas negociações.

“Em grande medida, como [o governo dos EUA] não tem um contra-argumento, nos parece que do ponto de vista econômico do debate, o Brasil tem razão. Então, como temos razão, a gente não pode baixar a cabeça. Temos que seguir fazendo um bom debate, um bom enfrentamento. Sob a própria lógica do governo dos Estados Unidos, a tarifa para o Brasil não faz sentido”, argumentou o ministro.

Durigan fez questão de lembrar que o comércio Brasil-EUA opera com um déficit para o lado brasileiro, onde famílias e empresas nacionais contribuem para o superávit norte-americano. Apesar disso, a consolidação da economia brasileira permite ao país proteger sua população, como exemplificado na gestão dos preços dos combustíveis.

Acusações de ‘Punição Geral’ e Falsos Argumentos

O ministro atribuiu a imposição das novas tarifas americanas a uma decisão da gestão de Donald Trump, que teria desconsiderado discussões setoriais e optado por uma “punição geral ao Brasil”. Ele refutou veementemente os fundamentos utilizados pelos EUA, classificando-os como “falsos”, especialmente no que tange a práticas comerciais indevidas e questões ambientais.

Segundo ele, “tirou-se da cartola um outro fundamento, que é o fundamento das práticas comerciais indevidas para se restituir uma tarifa sobre o Brasil. Mas essas práticas comerciais, os argumentos utilizados são falsos. Talvez eles estejam olhando para o governo anterior ainda quando falam sobre desmatamento e sobre outras coisas. É totalmente falso”.

Apesar da discórdia, o governo brasileiro, através do Ministro Dario Durigan, reforça o compromisso de manter os canais de negociação abertos com os representantes dos Estados Unidos nos próximos meses.

“O esforço não deixará de ser feito. Assim que tiver a oportunidade, eu vou levar essa insatisfação e nossos argumentos, com respeito, para dizer o quanto isso é prejudicial para a relação bilateral”, assegurou.

Pix Inegociável para o Brasil

Outro ponto de atrito na política comercial com os EUA envolve o Pix, que a gestão americana considera uma ameaça às relações comerciais. No entanto, Durigan garantiu categoricamente que a ferramenta de pagamentos instantâvel não faz parte de nenhuma pauta de negociação.

“O Pix é um ponto de conflito absurdo. Pix é uma infraestrutura brasileira e não é um concorrente de mercado. Inclusive é uma infraestrutura pública aberta. Ele ampliou as transações — seja de cartão, seja à vista — no Brasil. Os Estados Unidos classificam o Pix como prática desleal, o que é um completo absurdo. Não faz nenhum sentido que se discuta o Pix numa mesa de negociação, porque o Pix não está em negociação. Ele vai ser preservado como um serviço público oferecido aos brasileiros”, enfatizou Durigan.

A Dimensão Política das Tarifas Americanas

O titular da pasta da Fazenda apontou que, ao esgotar-se os argumentos técnicos, econômicos e comerciais, torna-se “evidente” a existência de uma motivação política por trás da taxação dos EUA ao Brasil. Durigan lamentou o caráter eleitoral dessa medida e criticou aqueles no Brasil que, por ganhos políticos, apoiam ações que prejudicam os interesses nacionais.

“Como a gente ganha o argumento técnico, o argumento econômico e de comércio, não sobre outra coisa a não ser o argumento político. O mais triste é que ele é um argumento político-eleitoral e tem gente no Brasil que apoia esse tipo de medida contra o país para ter muleta eleitoral, para ter benefício eleitoral, o que joga contra os interesses nacionais. Isso é contra o interesse das empresas, dos trabalhadores, de quem fez investimento e de quem não vai mais conseguir exportar para os Estados Unidos por um capricho eleitoral”, concluiu o ministro.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/brasil-nao-deixara-de-negociar-tarifas-impostas-pelos-eua-diz-durigan

Redação Extra News Goiás
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