Tarifaço dos EUA poupa petróleo, carne e café de produtos brasileiros

Aeronaves, óleo, café e carne estão fora do tarifaço imposto pelos EUA

© Valter Campanato/Agência Brasil

Washington anunciou a imposição de uma sobretaxa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, medida que entrará em vigor a partir do próximo dia 22. A decisão, tornada pública nesta quarta-feira (15) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), deflagrou uma imediata e veemente condenação por parte do governo brasileiro, que promete buscar reparação e retaliar a ação no âmbito do comércio internacional. A escalada nas tarifas americanas sobre produtos brasileiros afeta setores-chave, mas poupa importantes commodities.

A sanção tarifária de 25% é resultado de uma investigação conduzida pelo USTR e foi formalizada na última quarta-feira. O governo dos EUA justificou as novas taxas argumentando que certas práticas adotadas pelo Brasil eram consideradas prejudiciais. O órgão declarou que tais práticas “eram descabidas e oneravam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses.”

Setores Atingidos e Isenções Estratégicas

Entre os setores que enfrentarão a taxação adicional, destacam-se a indústria de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar e etanol. A lista de produtos manufaturados afetados se estende a itens como produtos farmacêuticos, maquinário agrícola e máquinas elétricas que não se destinam ao segmento de aviação, que também foram incluídos na nova tarifação.

Contudo, nem todas as exportações do Brasil para os Estados Unidos serão penalizadas. Um terço da pauta de vendas do Brasil para o mercado americano no primeiro semestre deste ano, composta por itens como aviação civil, petróleo, carne bovina e café, foi isento da sobretaxa. Outras categorias importantes, como celulose, minério de ferro, ferro-gusa, além de laranja e suco de laranja, também estão fora da lista de produtos taxados. As isenções, segundo a própria justificativa americana, buscam evitar a escassez e interrupções na economia dos EUA, uma vez que esses produtos brasileiros não são produzidos internamente em quantidade suficiente ou a preços considerados razoáveis.

Reação de Brasília e Próximos Passos

O governo brasileiro não demorou a manifestar seu repúdio às medidas comerciais unilaterais. Em resposta oficial, Brasília “repudiou as novas tarifas, disse que não reconhece a legitimidade da investigação do USTR e acrescentou que não há justificativa para essas medidas.”

Diante do cenário, o Brasil já delineou sua estratégia de resposta. As autoridades brasileiras informaram que “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC [Organização Mundial do Comércio]”. A medida visa contestar a validade das novas tarifas americanas e defender os interesses comerciais do país.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/aeronaves-oleo-cafe-e-carne-estao-fora-do-tarifaco-imposto-pelos-eua

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