Dólar fecha acima de R$ 5,20 e Bolsa de SP cai no 1º pregão de julho

Dólar cai pela sétima vez seguida e fecha em R$ 5,64

© Valter Campanato/Agência Brasil

Os mercados financeiros brasileiros abriram julho sob pressão, com o dólar ultrapassando a marca dos R$ 5,20 e a bolsa de valores de São Paulo registrando perdas no primeiro dia útil do mês. A principal influência para a desvalorização dos ativos locais veio da persistente expectativa de que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, manterá as taxas de juros em patamares elevados por mais tempo, impactando diretamente o apetite global por investimentos de risco.

Além do cenário macroeconômico global, que tem fortalecido a divisa americana e desviado capital de economias emergentes como o Brasil, operadores do mercado doméstico também monitoraram de perto indicadores econômicos internos e as últimas notícias relacionadas ao quadro político-eleitoral para 2026, adicionando cautela aos negócios.

Dólar em Alta e Cenário Externo

A divisa norte-americana encerrou as negociações desta quarta-feira (1º) cotada a R$ 5,209, marcando um avanço de 0,92%. Ao longo do pregão, a moeda chegou a tocar a máxima de R$ 5,219, após um início de dia próximo à estabilidade. Esta cotação representa o patamar mais alto para o dólar desde 30 de março, quando foi negociado a R$ 5,24. Apesar da valorização recente, no acumulado do ano, a moeda estadunidense ainda exibe uma desvalorização de 5,08%.

O principal motor por trás da valorização do câmbio foi, sem surpresas, o ambiente externo. Investidores seguem ajustando suas estratégias frente à possibilidade de o Fed adotar uma abordagem mais conservadora antes de iniciar um eventual ciclo de cortes de juros. Juros mais altos nos EUA tornam os títulos do Tesouro americano mais atrativos, canalizando capital para o país e diminuindo a alocação de recursos em mercados emergentes.

Nesta quarta-feira, foram divulgados dados indicando que o setor privado dos Estados Unidos gerou 98 mil novos postos de trabalho em junho. A expectativa agora se volta para o relatório oficial de emprego, o payroll, a ser divulgado na quinta-feira (2), que poderá fornecer novas pistas sobre os próximos passos da política monetária americana.

Cautela Doméstica e Queda na Bolsa

Internamente, a atenção dos participantes do mercado se dividiu entre a divulgação de recentes pesquisas eleitorais e a notícia de que Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher, fatores que contribuíram para um ambiente de maior cautela nos investimentos.

O Ibovespa, principal referencial da B3, registrou um recuo de 0,20%, fechando aos 171.688 pontos. O índice flutuou significativamente ao longo do dia, oscilando entre perdas superiores a 1% e um breve momento de alta. Este foi o primeiro pregão do segundo semestre, um período que tradicionalmente é marcado por ajustes nas carteiras dos investidores, contribuindo para a volatilidade nos mercados acionários.

A performance negativa da bolsa de valores também reflete a incerteza em torno da política monetária norte-americana, que diminui o interesse de investidores estrangeiros por ativos de maior risco. Dados de junho revelaram um saldo líquido negativo de R$ 8,7 bilhões em investimentos externos na B3, dando continuidade à tendência observada desde abril.

Entre os principais destaques setoriais do dia, as ações de grandes bancos apresentaram desempenho misto, enquanto os papéis de petroleiras acompanharam a queda do petróleo no mercado internacional. As empresas do setor de mineração, por sua vez, encerraram o dia com pouca variação.

Olhar para o Futuro

Além dos dados do mercado de trabalho americano, os investidores acompanharam discursos de dirigentes do Fed e do Banco Central Europeu (BCE), que mantiveram uma postura ambígua quanto ao momento de uma possível redução das taxas de juros. No Brasil, o Banco Central informou que o fluxo cambial do país acumulou um saldo positivo de US$ 7,168 bilhões até 26 de junho, mas este dado teve impacto limitado sobre a dinâmica dos mercados.

A expectativa prevalecente é que os próximos indicadores da economia dos Estados Unidos serão decisivos para moldar o comportamento dos juros americanos. Este fator é considerado a principal baliza para as tendências de câmbio, a bolsa de valores e o fluxo de investimentos para mercados emergentes nas próximas semanas.

Com informações da Reuters.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/dolar-supera-r-520-e-bolsa-cai-com-expectativa-por-juros-nos-eua

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