Jovens ocupados são maioria, mas 6,2 milhões seguem como “nem-nem”

© Paulo Pinto/Agência Brasil

Milhões de jovens brasileiros, mesmo com níveis de escolarização em ascensão, seguem encontrando entraves substanciais para consolidar sua trajetória profissional. Um diagnóstico abrangente divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) aponta que, no primeiro trimestre de 2026, uma parcela significativa da população entre 14 e 24 anos, totalizando 6,2 milhões de indivíduos, encontrava-se na desafiadora situação de não estudar nem trabalhar, integrando o grupo conhecido como “nem-nem”. Embora 13,9 milhões estivessem empregados, a pesquisa ressalta a volatilidade e a baixa permanência nas ocupações, delineando um complexo cenário para o emprego jovem no país.

Os dados detalhados pelo Diagnóstico da Juventude Brasileira, elaborado pelo MTE a partir do cruzamento de informações do IBGE/PNAD Contínua, MTE/RAIS e eSocial, revelam que, do universo de 32,9 milhões de jovens nessa faixa etária, a maior parte (13,9 milhões) estava ocupada. Contudo, a análise se aprofunda nas distintas realidades: 12,8 milhões dedicavam-se exclusivamente aos estudos, 9,6 milhões apenas trabalhavam, e 4,3 milhões combinavam estudo e trabalho. A presença dos 6,2 milhões de jovens “nem-nem” representa um dos principais desafios identificados, exigindo políticas públicas focadas na reintegração.

A subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MTE, Paula Montagner, destacou a prioridade em reverter esse quadro. “A conclusão é a de que temos muita gente na escola, menos gente fora do mundo do trabalho ou da escola. Nosso primeiro esforço é trazer essas pessoas de volta para a escola. Eventualmente trabalhando, se precisar, para poder remunerar”, afirmou Montagner, enfatizando a necessidade de estratégias que viabilizem a educação e, quando necessário, a inserção produtiva.

Educação e Qualificação do Jovem Brasileiro

Um dos pontos positivos revelados pelo estudo é o aumento da escolaridade entre a juventude. Mais de 73% dos jovens possuem ao menos o ensino médio completo, com 2,3 milhões cursando o ensino superior e outros 944 mil já portando um diploma universitário. Essa evolução educacional é vista como uma porta de entrada crucial para o mercado de trabalho jovem, embora o grande desafio seja traduzir essa credencial em posições de trabalho decentes, qualificados e com remuneração justa. A participação de adolescentes de 14 a 17 anos na força de trabalho, que chegou a 15,6%, é vista como um indicativo favorável, sugerindo que mais jovens nessa faixa etária estão priorizando a educação. Já entre 18 e 24 anos, a participação de 68,7% ainda não alcançou os níveis pré-pandemia, indicando espaço para a reincorporação de quem se afastou do trabalho.

Paula Montagner reforça a importância da formação. “Nós temos um desafio grande porque a credencial mínima para o mercado de trabalho é o ensino médio. Cada vez mais isso é visível em todos os lugares do Brasil. Não só nas atividades urbanas, mas também nas rurais”, avaliou a subsecretária.

O Desafio da Inserção no Emprego Jovem

Apesar da notável queda na taxa de desemprego jovem desde 2021, o segmento continua a enfrentar dificuldades para encontrar oportunidades. No primeiro trimestre de 2026, 25,1% dos adolescentes de 14 a 17 anos estavam sem ocupação, enquanto entre os jovens de 18 a 24 anos, a taxa atingia 13,8%. Este último percentual é mais do que o dobro da média nacional de desocupação, que é de 5,8%, evidenciando que a entrada no mercado de trabalho para jovens é um processo que ainda exige maior suporte.

Montagner comenta sobre a recuperação do setor. “A taxa de desemprego jovem caiu pela metade desde o pico de 2021. Os números absolutos estão entre os menores da série: 2,7 milhões de jovens (18-24) e 586 mil adolescentes desempregados. Entrar no mercado segue mais difícil para quem começa, mas temos elementos importantes: muita gente ficando na escola ou trabalhando e estudando”, pontuou.

A pesquisa também apontou que a formalização dos vínculos empregatícios alcançou 57,8%, com 8 milhões de empregos formais registrados para jovens de 14 a 24 anos (RAIS 2025), o que significa que mais da metade dos jovens ocupados já possui carteira de trabalho assinada. Contrapondo-se a um discurso corrente, a subsecretária desmistifica a ideia de que a juventude rejeita o regime CLT. “Existe um mito sendo formado de que jovem não quer ser celetista. Jovem não quer chefe resmungão, quer ter possibilidade de diálogo e alguma flexibilidade, principalmente quando ele tem prova, precisa resolver algum problema”, analisa Paula Montagner, indicando que a busca é por condições de trabalho mais adaptáveis e humanas.

Permanência e Qualidade do Emprego para Jovens

Apesar do acesso ao trabalho, a pesquisa revela uma preocupante instabilidade no emprego para jovens. Mais da metade dos adolescentes de 14 a 17 anos (52%) permanece menos de um ano na mesma ocupação, e entre os jovens de 18 a 24 anos, 38,2% têm vínculos empregatícios com duração inferior a 12 meses. Essa rotatividade elevada tem raízes, segundo a subsecretária, na natureza das funções e na falta de acompanhamento. Os jovens tendem a se concentrar em poucas ocupações, predominantemente em comércio e serviços. Balconistas e vendedores (1,24 milhões), escriturários gerais (1,07 milhões), auxiliares de construção (394 mil), recepcionistas (391 mil) e caixas e bilheteiros (367 mil) são as funções que mais absorvem essa faixa etária, com 59% dos jovens concentrados nas 20 maiores ocupações. Um em cada cinco, por exemplo, atua em escrituração ou vendas em lojas.

Essa concentração em funções de baixa especialização e salários próximos ao mínimo é vista como a causa da dificuldade de ascensão e da baixa permanência. “O emprego jovem se concentra em poucas funções de comércio e serviços, de baixa especialização e salário próximo ao mínimo. É a raiz da baixa permanência e da dificuldade de ascensão”, explicou Montagner. Ela complementa que a inexperiência dos mais novos, aliada à falta de orientação e supervisão adequadas, contribui para a saída precoce dos postos de trabalho. “Quando eu trago um jovem adolescente, eu deveria trabalhar com ele para sua formação. Precisa gastar tempo para explicar, supervisionar e ajudá-lo a compreender porque tem que ser feito de tal maneira”, concluiu a subsecretária, reforçando a importância de um ambiente de trabalho que favoreça o aprendizado e o desenvolvimento profissional do jovem.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-06/jovens-ocupados-sao-maioria-mas-62-milhoes-seguem-como-nem-nem

Redação Extra News Goiás
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