Pressão Alta: Brasil tem nova diretriz e 12×8 é agora pré-hipertensão
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Brasil acende um alerta neste domingo (26), marcando o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. A data destaca a urgência de encarar a pressão alta, uma doença silenciosa que, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), transcende as faixas etárias tradicionais, afetando um número crescente de adolescentes e até crianças, além de ser um problema de saúde cardiovascular prevalente entre adultos e idosos. A iniciativa busca conscientizar a população sobre os riscos e a necessidade de detecção e manejo precoces.
### Entendendo a Hipertensão Arterial
Popularmente conhecida como pressão alta, a hipertensão arterial é definida pelo Ministério da Saúde como uma condição crônica caracterizada pela persistência de níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias. Essa elevação exige do coração um esforço muito maior para impulsionar o sangue pelo corpo, comprometendo a saúde cardiovascular. A pasta ressalta que a “pressão alta faz com que o coração tenha que exercer um esforço maior do que o normal para fazer com que o sangue seja distribuído corretamente no corpo”, classificando-a como um dos principais fatores de risco para quadros graves como acidente vascular cerebral (AVC), enfarte, aneurisma arterial, e insuficiências renal e cardíaca.
Os fatores que influenciam os níveis de pressão arterial são diversos. Embora em 90% dos casos a hipertensão arterial seja herdada geneticamente, uma série de hábitos e condições contribuem significativamente para seu desenvolvimento. Entre eles, destacam-se o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a obesidade, o estresse crônico, uma dieta com elevado teor de sal, altos níveis de colesterol no sangue e o sedentarismo.
### A Reclassificação do “12 por 8”: Um Novo Olhar para a Pressão Arterial
Em uma importante atualização no cenário da saúde brasileira, novas diretrizes para o manejo da pressão arterial, divulgadas em setembro do ano passado, redefiniram o que antes era considerado um valor normal. A aferição de “12 por 8” (ou 120/80 mmHg), historicamente vista como ideal, agora é classificada como indicador de pré-hipertensão. Este novo entendimento foi estabelecido por um documento conjunto elaborado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e pela Sociedade Brasileira de Hipertensão.
A mudança de critério visa identificar de forma mais precoce indivíduos em risco, incentivando a implementação de intervenções proativas, prioritariamente não medicamentosas, para impedir a progressão para um quadro de hipertensão arterial. Para que a pressão seja considerada normal, portanto, ela deve ser inferior a 12 por 8. Valores iguais ou superiores a 14 por 9 permanecem como indicativos de hipertensão em estágios 1, 2 e 3, a depender da avaliação profissional em consultório.
### Sinais de Alerta: Os Sintomas da Pressão Alta
A natureza silenciosa da hipertensão arterial é um de seus maiores perigos. Geralmente, os sintomas da pressão alta só se manifestam quando a pressão sobe a níveis muito elevados, demandando atenção imediata. Os sinais de alerta incluem dores no peito, dores de cabeça persistentes, tonturas, zumbido no ouvido, sensação de fraqueza, visão embaçada e, em casos mais graves, sangramentos nasais.
### Diagnóstico Essencial e Tratamento Contínuo
A única forma eficaz de diagnosticar a hipertensão arterial é através da medição regular da pressão. O Ministério da Saúde recomenda que pessoas com mais de 20 anos verifiquem a pressão arterial ao menos uma vez por ano. No entanto, se houver histórico familiar de pressão alta, a orientação é intensificar essa vigilância: “Se houver casos de pessoas com pressão alta na família, deve-se medir no mínimo duas vezes por ano”.
Embora a pressão alta não tenha cura, ela é uma condição tratável e pode ser efetivamente controlada. A definição do melhor método de tratamento é uma prerrogativa médica, pois “somente o médico poderá determinar o melhor método para cada paciente”. O Sistema Único de Saúde (SUS) desempenha um papel fundamental no apoio a esses pacientes, fornecendo medicamentos essenciais para o controle da hipertensão arterial gratuitamente. A distribuição ocorre nas unidades básicas de saúde (UBS) e por meio do programa Farmácia Popular. Para retirar a medicação, o paciente deve apresentar documento de identidade com foto, CPF e uma receita médica válida por até 120 dias, que pode ser emitida tanto por profissionais do SUS quanto por médicos de clínicas ou hospitais privados.
### Prevenção e Qualidade de Vida: O Segredo Contra a Hipertensão
Além do tratamento medicamentoso, a adoção de um estilo de vida saudável é classificada pelo Ministério da Saúde como imprescindível para a prevenção e o controle da pressão alta. As medidas preventivas incluem manter o peso corporal adequado, se necessário, com uma mudança nos hábitos alimentares; evitar o consumo excessivo de sal, optando por temperos naturais que realçam o sabor dos alimentos; praticar atividade física regular; dedicar-se a momentos de lazer; abandonar o tabagismo; moderar o consumo de bebidas alcoólicas; evitar alimentos ricos em gordura; e controlar doenças associadas, como o diabetes.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-04/hipertensao-silenciosa-e-hereditaria-doenca-pede-mudanca-de-habitos
