Delegado que prendeu advogada em Cocalzinho de Goiás é afastado do cargo
Momento em que a advogada é algemada e levada para a delegacia
A Polícia Civil de Goiás determinou o afastamento do delegado Christian Zilmon Mata dos Santos de suas funções na Subdelegacia de Cocalzinho, realocando-o para a 17ª Delegacia Regional de Polícia, em Águas Lindas de Goiás. A medida, oficializada pela Portaria Eletrônica nº 189/2026 na última quarta-feira (22), surge após a repercussão da controvertida prisão de uma advogada, Aricka Cunha, em que o próprio delegado figurou como suposta vítima e condutor do procedimento, levantando sérios questionamentos sobre conflito de interesse na atuação policial.
A decisão da Delegacia-Geral, em consonância com a deliberação do Conselho Superior da Polícia Civil, visa endereçar a controvérsia que cercou a detenção da profissional do Direito. A advogada Aricka Cunha foi detida na semana passada sob acusação de difamação, em um processo presidido pelo próprio delegado Christian Zilmon, que se considerou diretamente atingido pelas manifestações da jurista em rede social. A condução do caso por um agente que também se declarava vítima foi o cerne dos questionamentos que levaram à sua remoção, destacando a necessidade de imparcialidade na condução de inquéritos.
### Novas Diretrizes para Atuação Policial e Conflito de Interesse
Em um desdobramento direto do episódio envolvendo a advogada presa, a corporação publicou a Portaria nº 323/2026, que estabelece novos critérios para a atuação de delegados em situações onde eles próprios figurem como vítimas de infração penal. O documento exige que a autoridade policial avalie a existência de eventual suspeição e, caso reconheça qualquer comprometimento de sua imparcialidade, abstenha-se de presidir o Auto de Prisão em Flagrante Delito e os demais atos investigativos. Se optar por manter a condução do caso, o delegado deve justificar expressamente sua decisão.
Esta regulamentação foi uma resposta articulada à mobilização da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), em parceria com o Conselho Federal da OAB. Ambas as entidades apontaram possíveis violações às prerrogativas da advocacia e ressaltaram a imprescindibilidade da imparcialidade na condução de investigações criminais pela Polícia Civil de Goiás.
Conforme o presidente da OAB-GO, Rafael Lara Martins, “a regulamentação representa avanço institucional ao estabelecer parâmetros para prevenir conflitos de interesse, resguardar a validade dos atos processuais e reforçar a confiança nas instituições.”
### A Prisão que Gerou a Crise
O incidente que culminou nas recentes mudanças ocorreu na tarde de quarta-feira, dia 15. A advogada Aricka Cunha foi detida dentro de seu próprio escritório em Cocalzinho de Goiás, por ordem do então delegado Christian Zilmon Mata dos Santos. A alegação era de difamação, baseada na divulgação de trechos de um despacho de arquivamento de uma ocorrência policial, aos quais a advogada adicionou comentários críticos.
As publicações da advogada faziam referência a um documento oficial que indicava o arquivamento de um procedimento por “fato atípico e falta de efetivo”, notavelmente sem fazer menção direta ao nome do delegado. Registros em vídeo capturaram o momento em que o delegado, pessoalmente, compareceu ao escritório da advogada para efetuar a prisão no local de trabalho. Aricka Cunha permaneceu detida até o período noturno, sendo liberada somente após o pagamento de uma fiança estipulada em R$ 10 mil. A detenção de uma advogada em seu ambiente profissional, somada à participação do delegado como vítima e condutor, intensificou o debate sobre as prerrogativas profissionais e a neutralidade da autoridade policial.
Fonte e Fotos: ROTA JURÍDICA
https://www.rotajuridica.com.br/caso-da-advogada-aricka-cunha-policia-civil-remove-delegado-para-aguas-lindas-e-edita-norma-sobre-suspeicao/
