Dólar fecha abaixo de R$ 5 no Brasil; Bolsa cai pela 3ª vez seguida

Dólar cai 1,6% e fecha em R$ 5,23 com alívio externo

© Nguyen Huy Kham/Reuters - Proibido reprodução

O mercado financeiro brasileiro encerrou a última sexta-feira, 24 de maio, com um cenário misto que contrastou um ligeiro recuo do dólar, fechando abaixo da marca de R$ 5, com a prolongada queda da bolsa de valores (Ibovespa), que acumulou perdas significativas ao longo da semana. O dia foi marcado pela cautela dos investidores globais, apesar de indicativos de menor aversão ao risco no exterior, influenciando o desempenho do câmbio e das ações no país.

### Câmbio: Dólar Fecha Abaixo de R$ 5 em Dia de Alívio Externo

A divisa norte-americana, um ativo tradicionalmente buscado em momentos de incerteza, demonstrou resiliência, fechando o pregão de sexta-feira cotada a R$ 4,998 para venda, um decréscimo sutil de 0,1% frente ao fechamento anterior. Este movimento foi impulsionado por uma atmosfera internacional de menor apreensão, especialmente ante a expectativa de reabertura de negociações entre os Estados Unidos e o Irã, conforme divulgado por analistas de mercado. Tal contexto diminuiu a procura global por refúgios seguros, beneficiando moedas de economias emergentes, como o real brasileiro.

Apesar da desvalorização diária, o dólar registrou uma valorização marginal de 0,32% no acumulado da semana. Contudo, a perspectiva anual para a moeda dos EUA segue de queda, com recuo de 8,92% no ano, refletindo a recente força do real, que levou a cotação a patamares não vistos em mais de dois anos. Os últimos dias testemunharam o que o mercado descreve como “ajustes técnicos”, com operadores realizando lucros após a acentuada desvalorização da moeda estrangeira.

O Banco Central chegou a ensaiar uma intervenção no mercado de câmbio, oferecendo dólares à vista e contratos futuros em uma operação conhecida como “casadão”. Contudo, o órgão regulador não aceitou as propostas apresentadas, sinalizando que a atuação não era considerada essencial naquele momento.

### Bolsa de Valores: Ibovespa Prolonga Queda e Acumula Perdas

Na B3, a bolsa de valores brasileira, o Ibovespa — principal indicador do mercado de ações nacional — encerrou o dia em território negativo. O índice registrou uma desvalorização de 0,33%, atingindo 190.745 pontos. Com esse resultado, o patamar atual representa o nível mais baixo para o índice desde o dia 14 de abril, marcando a terceira sessão consecutiva de declínio.

Durante o pregão, o Ibovespa chegou a operar abaixo dos 190 mil pontos, em um movimento atribuído à realização de lucros por parte dos investidores. Após sequências de recordes recentes, a venda de ações para garantir ganhos tem sido uma tônica. Das últimas sete sessões, o índice registrou alta em apenas um dia. Na semana, o recuo acumulado foi de 2,55%, contudo, o desempenho mensal ainda se mantém positivo em 1,75%, e a valorização anual é expressiva, atingindo 18,38%.

Entre os fatores que contribuíram para a pressão de baixa sobre o Ibovespa, destacam-se a performance de companhias ligadas ao setor de petróleo e um ambiente externo com direções diversas, onde as bolsas dos Estados Unidos apresentaram comportamentos distintos: enquanto os índices de tecnologia avançaram, os setores mais tradicionais registraram quedas nesta sexta-feira.

### Mercado de Petróleo: Volatilidade Diária e Alta Expressiva na Semana

O mercado de petróleo vivenciou uma sessão de elevada volatilidade na sexta-feira. Os preços foram influenciados por uma complexa combinação de tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, e sinais de uma possível flexibilização no conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã, o que injetou incerteza nas cotações.

O contrato do barril de Brent, referência internacional e crucial para a precificação da Petrobras, encerrou o dia com uma ligeira queda de 0,22%, sendo negociado a US$ 99,13. Já o petróleo WTI, o tipo texano que serve como benchmark nos EUA, teve um recuo mais acentuado, de 1,5%, fechando a US$ 94,40 por barril.

Apesar das flutuações diárias, a semana foi de ganhos robustos para a commodity. O Brent acumulou uma valorização de 16%, enquanto o WTI avançou quase 13%. Essa escalada significativa nos preços reflete as crescentes preocupações com a oferta global do produto, agravadas pelo conflito no Oriente Médio. A situação crítica no Estreito de Ormuz, uma via marítima vital para o transporte de petróleo, persiste com tráfego reduzido e reportes de apreensão de embarcações.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/dolar-fecha-abaixo-de-r-5-e-bolsa-cai-com-cautela-global

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