Sarampo retorna às Américas; Opas vê desafio em vacinar não imunizados
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) alerta para um grave desafio na luta contra o sarampo nas Américas: a dificuldade em imunizar a população, e não a escassez de doses da vacina contra sarampo. A afirmação foi feita nesta quinta-feira (23) pelo diretor da entidade, Jarbas Barbosa, diante de um cenário preocupante de ressurgimento da doença em diversos países da região, que já registrou mais de 15 mil casos confirmados em 2026.
O Retorno do Sarampo e os Desafios da Imunização
A principal barreira identificada pela Opas para conter o avanço do sarampo é a baixa percepção de risco sobre a doença, a falta de informação e os obstáculos no acesso à vacinação. Essa combinação de fatores contribui diretamente para a queda nas coberturas vacinais, permitindo que o vírus, um dos mais infecciosos conhecidos, volte a circular com intensidade.
“Há uma percepção de baixo risco [da doença], há falta de informação e há obstáculos ao acesso [à vacina], que terminam por contribuir com essa situação. E, quando a cobertura dessa vacina cai, o vírus volta. É simples assim. O sarampo é uma das doenças mais infecciosas conhecida”, declarou Jarbas Barbosa.
A história da região com o sarampo é marcada por altos e baixos. As Américas foram pioneiras, sendo a primeira região do mundo a eliminar a doença em 2016. No entanto, o status foi perdido em 2018 e, após uma reconquista temporária em 2024, novamente o certificado de eliminação foi perdido em 2025. Esse ciclo de eliminação e reaparecimento reforça a fragilidade das defesas quando a vigilância e a imunização não são mantidas.
Cenário Regional: Números Preocupantes
Os dados mais recentes da Opas pintam um quadro alarmante do recrudescimento do sarampo. Em 2025, treze países das Américas reportaram 14.767 casos confirmados da doença, um aumento de 32 vezes em comparação com o ano anterior. A tendência de alta persistiu em 2026, com 15,3 mil casos confirmados registrados até o início de abril. México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá são os países com o maior número de notificações.
A gravidade do ressurgimento também se reflete nas fatalidades. Em 2025, 32 mortes associadas ao sarampo foram notificadas nas Américas. No primeiro trimestre de 2026, pelo menos 11 óbitos já haviam sido comunicados, atingindo predominantemente populações mais vulneráveis, que enfrentam maiores dificuldades no acesso a serviços de saúde e atendimento médico.
“Esse retorno do sarampo às Américas significa um atraso e precisamos realmente reverter isso por meio de ação decisiva”, afirmou o diretor da Opas, sublinhando a urgência da situação. Ele ainda alertou que um único caso de sarampo pode desencadear um surto se a cobertura vacinal não atingir mais de 95% com as duas doses recomendadas.
Ao longo dos últimos 25 anos, a vacinação contra sarampo foi crucial para prevenir mais de 6 milhões de mortes nas Américas, evidenciando o poder da imunização. “Já eliminamos o sarampo e podemos fazer de novo. Mas isso vai requerer compromisso político sustentável, investimentos em saúde pública e também ações decisivas para reconstruir a confiança nas vacinas e combater a desinformação. Tenho confiança de que poderemos recuperar o status da região como livre do sarampo. Já fizemos isso duas vezes e podemos fazer uma terceira vez”, concluiu Jarbas Barbosa.
Situação do Sarampo no Brasil
Contrastando com o panorama regional, o Brasil mantém seu status de país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo, uma conquista consolidada em 2024. A vigilância epidemiológica brasileira continua ativa para monitorar e conter qualquer introdução do vírus.
Em 2025, o país investigou 3.952 casos suspeitos, descartando 3.841 deles. Quarenta e seis permaneceram sob investigação, e 38 foram confirmados. Desses confirmados, dez eram casos importados, 25 foram classificados como relacionados à importação e três tiveram a fonte de infecção desconhecida.
No decorrer de 2026, até meados de março, o Brasil registrou 232 casos suspeitos. Dois casos foram confirmados: uma criança de 6 meses, residente em São Paulo, com histórico de viagem à Bolívia; e uma jovem de 22 anos, moradora do Rio de Janeiro, com investigação em andamento. Ambas não haviam sido vacinadas.
Compreendendo o Sarampo
O sarampo é uma doença viral infecciosa aguda, extremamente contagiosa e potencialmente grave. Sua transmissão ocorre principalmente por via aérea, através de gotículas respiratórias liberadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. O vírus pode se disseminar rapidamente em ambientes com grande aglomeração de pessoas.
Os sintomas característicos incluem febre, tosse persistente, coriza, perda de apetite e conjuntivite, manifestada por olhos vermelhos, lacrimejantes e fotofobia. Manchas vermelhas na pele, que surgem primeiro no rosto e atrás da orelha, e depois se espalham pelo corpo, são outro sinal típico. Dor de garganta também pode ser sentida. A pele pode descamar, lembrando uma queimadura. Complicações graves do sarampo podem incluir cegueira, pneumonia e encefalite (inflamação do cérebro).
Prevenção e Vacinação
A principal e mais eficaz forma de prevenção contra o sarampo é a vacinação, amplamente disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e integrante do calendário básico de imunização infantil.
O esquema vacinal para crianças prevê a primeira dose da vacina tríplice viral (que protege também contra caxumba e rubéola) aos 12 meses de idade. A segunda dose é administrada aos 15 meses. É fundamental que qualquer pessoa com até 59 anos que não possua comprovante de imunização ou que não tenha completado o esquema vacinal procure uma unidade de saúde para atualizar sua carteira de vacinação.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-04/opas-ja-eliminamos-o-sarampo-das-americas-e-podemos-fazer-de-novo
