Paralisação de professores no Rio de Janeiro cobra recomposição salarial.
© Fernando Frazão/Agência Brasil
Milhares de profissionais da educação nas redes municipal e estadual do Rio de Janeiro paralisaram suas atividades por 24 horas nesta quinta-feira (9), marcando um dia de protestos e assembleias que pautam a urgência de recomposição salarial e melhores condições de trabalho em toda a capital fluminense e no estado. A mobilização, que reuniu docentes e funcionários administrativos, culminou em atos públicos estratégicos para pressionar as autoridades por respostas concretas às demandas dos educadores.
Reivindicações Centrais e Impacto Salarial
A principal bandeira levantada por ambas as categorias é a recomposição das perdas salariais que se acumularam nos últimos anos. Um estudo conjunto do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe) com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontou que as perdas salariais acumuladas pela categoria desde 2019 atingem 24,07%. Para a rede estadual, a situação é ainda mais crítica, com o índice de reajuste necessário para cobrir as perdas chegando a aproximadamente 56% sobre os salários de janeiro de 2026.
Pautas Específicas da Rede Municipal
Os profissionais da rede municipal de educação se reuniram em assembleia e, após o encontro, realizaram um ato público na Cinelândia, no coração do Rio de Janeiro. Além da recomposição salarial, o grupo reivindica o fim da chamada “minutagem”, prática que implica mais horas-aula trabalhadas sem a devida remuneração. Outras exigências incluem o pagamento do Acordo de Resultados 2024, que corresponde ao 14º salário, o cumprimento do piso nacional para as Professoras Adjuntas da Educação Infantil (PAEIs), o descongelamento do tempo de serviço congelado durante o período da pandemia, o aumento do vale-refeição e a revisão das regras de remoção.
Demandas dos Profissionais da Educação Estadual
No âmbito da rede estadual de ensino, a categoria, liderada pelo Sepe-RJ, também focou na necessidade de recomposição salarial. Helenita Beserra, coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro, informou que, após a assembleia, os educadores estaduais se manifestaram em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). As reivindicações incluem o cumprimento integral do acordo de recomposição firmado com a Alerj em 2021, que previa uma reposição de 26,5% parcelada em três etapas, mas da qual apenas a primeira foi efetivada. Além disso, exigem a imediata implementação do piso nacional do magistério.
Próximos Passos e Respostas das Secretarias
Para definir os rumos do movimento, os profissionais da educação estadual agendaram uma nova assembleia para o dia 5 de maio, quando será avaliada a possibilidade de entrada em estado de greve. Já os servidores da rede municipal marcaram sua próxima assembleia para 16 de maio.
Questionada sobre a paralisação, por meio de nota, a Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) esclareceu que as aulas ocorreram normalmente, sem impactos significativos na rede de ensino. A pasta reforçou que respeita o direito de manifestação dos servidores e assegurou que segue empenhada na valorização do magistério.
Por sua vez, a Secretaria Municipal de Educação (SME) ressaltou que mantém um canal de diálogo constante com o sindicato da categoria, promovendo reuniões frequentes com os representantes dos trabalhadores para discutir as pautas apresentadas.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026-04/professores-estaduais-e-municipais-do-rio-fazem-paralisacao-de-24h
