Lula defende o fim das bets no Brasil

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© Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira (8), a proibição das apostas eletrônicas de quota fixa, popularmente conhecidas como “bets”, no Brasil. Em entrevista ao canal ICL Notícias, o chefe do Executivo expressou grande preocupação com o crescente endividamento da população brasileira e o agravamento de problemas de saúde pública decorrentes do vício em jogos.

Com uma postura firme, Lula declarou: “Se depender de mim, a gente fecha as bets”, embora ressaltando que uma decisão final sobre o assunto dependerá de intensa articulação com o Congresso Nacional. Ele enfatizou que “Não é possível a gente continuar com essa jogatina desenfreada nesse país. Isso leva a sociedade a cometer desvios”.

Embora reconheça que o endividamento familiar tem raízes em salários baixos, Lula enfatiza que a promessa de “ganho rápido” das apostas potencializa essa situação, instando o governo a estudar propostas para auxiliar na quitação de dívidas. O presidente lamentou os impactos pessoais do vício: “Todo mundo quer ganhar um dinheirinho a mais, mas quando a pessoa está viciada no jogo, tem que tratar isso como uma questão de saúde Eu conheço pessoas que perderam o carro, perderam a casa. Pessoas que se matam”.

Apesar da clareza de sua posição, o presidente reconhece a complexidade política do tema. Ele apontou a forte influência do setor de apostas, que, segundo ele, financia parlamentares e partidos políticos, tornando a articulação com o Congresso Nacional fundamental para qualquer decisão final.

Lula traçou um paralelo com a proibição histórica dos cassinos físicos e do jogo do bicho no país, argumentando que a tecnologia moderna derrubou barreiras que antes protegiam as famílias. “Eu passei toda minha vida ouvindo dizer que não era possível ter jogo de azar, ter cassino, o jogo do bicho era contravenção. Hoje o cassino está dentro da sua casa, com o seu filho de 10 anos […] utilizando o celular do pai que é contra o jogo de azar, gastando dinheiro desnecessário e enricando as bets”, afirmou. Ele ainda rebateu o argumento de que os clubes de futebol dependem desses patrocínios, lembrando que “o futebol viveu um século e meio sem as bets”.

Dados do Banco Central revelam a dimensão do fenômeno: no primeiro trimestre de 2025, os apostadores brasileiros destinaram até R$ 30 bilhões por mês às bets.

As apostas de quota fixa foram legalizadas no Brasil em 2018 (Lei 13.756/2018), e sua regulamentação mais abrangente ocorreu em 2023, com a Lei 14.790/2023, que incluiu os jogos online. O Ministério da Fazenda, responsável pela fiscalização, criou a Secretaria de Prêmios e Apostas em 2024, publicando diversas portarias com regras para o setor.

Paradoxalmente, enquanto o presidente defende o encerramento das “bets”, a regulamentação e a consequente cobrança de impostos sobre o setor têm impulsionado significativamente a arrecadação federal. A Receita Federal registrou, em janeiro e fevereiro deste ano, uma arrecadação de R$ 2,5 bilhões com a tributação sobre apostas online e jogos de azar, um aumento notável de 236% em comparação com os R$ 756 milhões do mesmo período do ano passado.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-04/lula-defende-proibicao-de-bets-e-mostra-preocupacao-com-endividamento

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