Ministério da Saúde lança Memorial da Pandemia e Guia de Pós-Covid
© Fernando Frazão/Agência Brasil
O Ministério da Saúde inaugurou, nesta terça-feira (7), o Memorial da Pandemia no Rio de Janeiro, um espaço dedicado à memória das mais de 700 mil vítimas da Covid-19 no Brasil. A iniciativa busca homenagear e preservar a história desse período crítico da saúde pública.
O memorial está situado no edifício do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), que foi reaberto após quase quatro anos de reformas e um investimento de aproximadamente R$ 15 milhões. O local apresenta instalações marcantes, incluindo pilastras equipadas com letreiros digitais que exibem os nomes das vítimas, suas idades e cidades de origem. Outra obra de destaque é composta por quatro silhuetas humanas de mãos dadas, estruturadas em alumínio naval, simbolizando a união da sociedade frente à crise sanitária.
Ainda no evento de lançamento, foi apresentado o Memorial Digital da Pandemia, um portal online desenvolvido em colaboração com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), expandindo o alcance da homenagem. Este acervo digital servirá de base para uma exposição itinerante que percorrerá seis capitais brasileiras entre maio e janeiro de 2027, começando por Brasília e finalizando no Rio de Janeiro.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou a importância da iniciativa, declarando: “O Brasil viveu uma crise sanitária e uma crise de responsabilidade pública durante a pandemia. O negacionismo custou vidas. A ciência já demonstrou que grande parte das mortes poderia ter sido evitada se tivéssemos seguido as evidências, incentivado a vacinação e protegido a população”. Ele complementou: “Preservar essa memória é essencial para que o Brasil nunca mais repita esse erro e para que a defesa da ciência e da vida seja sempre um princípio inegociável na condução da saúde pública”.
Está prevista para junho, no próprio CCMS, a exposição “Vida Reinventada”, sob a curadoria da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, com a proposta de explorar as respostas da sociedade à pandemia através de uma fusão entre memória, ciência, arte e justiça.
Guia Nacional de Pós-Covid para o SUS
Em outra frente de ação, o Ministério da Saúde, em parceria com a Fiocruz, apresentou o Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O documento oferece diretrizes abrangentes para a identificação, diagnóstico e tratamento das sequelas persistentes da doença, conhecidas como pós-covid.
Este guia, que substitui normativas anteriores, torna-se a referência única no SUS para manejar manifestações clínicas que podem surgir a partir de quatro semanas após a infecção, mesmo em casos leves ou assintomáticos. Ele detalha complicações em diversos sistemas do organismo, incluindo cardiovascular, respiratório, neurológico e saúde mental, além de apresentar protocolos diagnósticos, recomendações terapêuticas e fluxos assistenciais na Rede de Atenção à Saúde, com foco em populações vulneráveis.
As iniciativas foram bem recebidas por instituições como a Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico). Paola Falceta, uma das fundadoras da Avico, que perdeu a mãe de 81 anos no início da pandemia, destacou que tanto o memorial quanto o guia de manejo eram demandas da associação, iniciadas no governo anterior e levadas adiante na gestão atual.
Paola Falceta ressaltou a relevância desses marcos: “Algumas pessoas afetadas pela doença não querem mais ouvir falar dela, porque é algo muito doído. Porém, a gente não pode deixar de fazer essa reflexão. É uma questão de memória, de justiça, de verdade e de luta para que não se repita mais a condução irresponsável do Estado dessa emergência de saúde pública”.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-04/memorial-da-pandemia-no-rio-de-janeiro-homenageia-vitimas-da-covid
