Sarampo em SP Alerta para Cobertura Vacinal e Risco de Surto
© Tomaz Silva/Agência Brasil
O recente registro de um caso de sarampo em uma bebê de seis meses em São Paulo reacende o alerta para a importância da vacinação, especialmente para proteger aqueles que ainda não podem ser imunizados. A criança, por não ter a idade recomendada para receber a primeira dose da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, estava desprotegida.
Segundo Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), “quando a cobertura está alta, os bebês mais novos ficam protegidos pela barreira criada por quem já se vacinou”. Ele destaca que a vacina do sarampo impede a infecção e a transmissão, possuindo “essa capacidade, que a gente chama de esterilizante”.
A bebê contraiu a doença após viajar com a família para a Bolívia, país que enfrenta um surto de sarampo desde o ano passado. Kfouri ressalta que “a alta cobertura também é essencial para impedir que casos importados como esse iniciem surtos dentro do Brasil”, e adverte que, devido à alta transmissibilidade do sarampo, a baixa cobertura vacinal eleva o risco de surtos mesmo sem viagens ao exterior.
Dados do ano passado apontam que 92,5% dos bebês receberam a primeira dose da vacina, mas apenas 77,9% completaram o esquema vacinal na idade correta. A vacinação é crucial para toda a vida, e crianças e adultos sem comprovante de vacinação devem se imunizar, seguindo o esquema recomendado de duas doses para pessoas de 5 a 29 anos e uma dose para quem tem entre 30 e 59 anos, exceto gestantes e pessoas imunocomprometidas.
Embora o caso em São Paulo seja o primeiro do ano, em 2023 foram confirmadas 38 infecções no país, a maioria de origem importada. O Brasil mantém o certificado de área livre da doença, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde em 2024, mas já perdeu essa certificação em 2019 devido a surtos iniciados por casos importados.
O continente americano enfrenta uma situação preocupante, com um alto número de casos de sarampo, principalmente em pessoas não vacinadas, especialmente crianças menores de um ano. Kfouri alerta que, ao contrário do que se pensa, o sarampo não é uma doença inofensiva, podendo causar complicações graves como pneumonia e encefalite, além de suprimir o sistema imunológico por vários meses após a infecção.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-03/caso-confirmado-de-sarampo-acende-alerta-sobre-cobertura-vacinal
