Velocidade e Risco: Aumento Mínimo Eleva Mortes no Trânsito, Alerta Abramet
© Marcello Casal JrAgência Brasil
Um estudo da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) aponta que um aumento de apenas 5% na velocidade permitida de uma via pode elevar em até 20% o número de mortes entre os usuários. A informação consta na nova diretriz “Tolerância Humana a Impactos: implicações para a segurança viária”, que surge em um momento em que o país discute a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
A Abramet defende que decisões administrativas no trânsito considerem os limites biomecânicos do corpo humano e o impacto da velocidade na gravidade dos acidentes. “A diretriz parte de um princípio central: o corpo humano possui limites biomecânicos inegociáveis e eles devem ser o ponto de partida das políticas públicas de trânsito”, diz a nota divulgada pela associação.
O documento mostra que pequenas reduções de velocidade geram quedas expressivas no risco de morte, enquanto acréscimos modestos elevam a gravidade dos acidentes. A diretriz também chama atenção para o risco de lesões fatais em pedestres e ciclistas, mesmo em velocidades moderadas, devido à expansão da frota de SUVs e veículos com frente elevada.
Segundo dados do DataSUS, pedestres, ciclistas e motociclistas representam mais de três quartos das internações hospitalares relacionadas ao trânsito, “cenário agravado pela combinação entre alta velocidade, infraestrutura inadequada e baixa proteção física”.
A diretriz da Abramet também aborda a atuação dos médicos do tráfego, tema considerado “especialmente sensível” diante da renovação automática da CNH. “O documento reforça que condições clínicas como envelhecimento, doenças neurológicas e cardiovasculares, distúrbios do sono, osteoporose e sequelas de traumatismos reduzem significativamente a tolerância humana a impactos e à desaceleração, exigindo avaliação periódica e individualizada pelo médico do tráfego.”
A norma apresenta recomendações para gestores públicos, instituições de ensino e sociedade, defendendo a adoção de limites de velocidade compatíveis com a tolerância humana, políticas de gestão da velocidade e campanhas educativas. “Ao reunir dados epidemiológicos, biomecânicos e clínicos, a Abramet reforça que decisões sobre trânsito não podem se apoiar apenas na fluidez ou na conveniência administrativa”, conclui a associação.
A renovação automática da CNH, regulamentada pela Medida Provisória 1327/2025, beneficiou 323.459 condutores na primeira semana de validade, economizando R$ 226 milhões em taxas e custos administrativos. Para participar do programa, o condutor não pode ter registro de infrações de trânsito nos últimos 12 meses e deve se cadastrar no aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT) ou no Portal de Serviços da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). No entanto, motoristas com 70 anos ou mais, aqueles com a validade da CNH reduzida por recomendação médica e aqueles com o documento vencido há mais de 30 dias não têm direito ao processo automático.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-03/associacao-alerta-para-riscos-apos-alteracao-nas-regras-de-transito
