Arte e Reflexão: Exposição no Rio revela obras de egressos do sistema prisional e familiares.
© Foto: Thiego Mattos/Divulgação
Uma exposição no Rio de Janeiro, intitulada “Coexistir Coabitar”, apresenta obras impactantes de artistas que vivenciaram o sistema prisional ou são familiares de pessoas que passaram por ele. A mostra, que fica em cartaz até 25 de abril de 2026, no Largo das Artes, busca provocar reflexões sobre as complexidades do encarceramento, as desigualdades sociais e a necessidade de políticas públicas mais eficazes.
Entre os artistas participantes está Wallace Costa, um biomédico de 29 anos, que expõe a obra “Cadeias de Vidro”. Através de três telas em resina, Wallace revisita a história do pai, que passou por diversas prisões, explorando o impacto que isso teve em sua vida e na dinâmica familiar. “Além dos rótulos que foram tatuados em mim, teve a época do regime semiaberto, em que tive que conviver com ele (…) Tudo isso teve muito impacto na minha vida”, relata o artista. Sua obra busca transcender a imagem midiática, explorando a saúde mental de um egresso e a experiência do detento.
Larissa Rolando, uma jovem de 20 anos, também compartilha sua experiência no sistema prisional através da arte. Detida por alguns meses, ela descreve o período como transformador, apesar das condições precárias que enfrentou. A artista, que é uma mulher trans, expressa o medo inicial de ser colocada em um presídio masculino, mas relata ter encontrado respeito por parte dos outros detentos. Sua obra para a exposição é uma escultura de um coração empalado, com veias que terminam em CDs, simbolizando a importância da música em sua vida e em sua jornada de transição.
A exposição “Coexistir Coabitar” é resultado de uma residência artística no Museu da Vida Fiocruz, reunindo 27 artistas que exploram, através de diferentes linguagens, suas vivências e reflexões sobre o sistema prisional. O curador Jean Carlos Azuos destaca que as obras são fruto das experiências reais dos participantes, evidenciando a importância da arte, da justiça social e da saúde como elementos de reconstrução de trajetórias. A programação da exposição inclui atividades educativas, como visitas mediadas e oficinas, com entrada franca, visando ampliar o diálogo com o público sobre essa temática tão urgente.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/exposicao-no-rio-de-janeiro-debate-encarceramento-e-justica-social
