Comunidades transformam manguezais da Baía de Guanabara com limpeza e moeda social
© Rodrigo Campanário/ Divulgação
Iniciativas comunitárias têm transformado a realidade ambiental dos manguezais na Baía de Guanabara, através de projetos focados na remoção de resíduos sólidos, na conscientização de pescadores e catadores de caranguejo, e na recuperação da fauna e flora.
Em Magé, a ONG Guardiões do Mar, por meio do Projeto Andadas Ecológicas, já recolheu 4,5 toneladas de lixo nos meses de janeiro e fevereiro. A ação beneficia diretamente pescadores artesanais, catadores de caranguejo e jovens da comunidade de Suruí e áreas próximas.
Além da limpeza, o projeto desenvolve o ecoclube, com um sistema de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) através da Moeda Azul, a Mangal. Durante dois anos e dois meses, o projeto envolverá escolas, espaços comunitários e moradores das margens do Rio Suruí, na Baixada Fluminense.
Segundo Pedro Belga, presidente da Guardiões do Mar, o diferencial do projeto é a educação ambiental, incentivando as comunidades a recolherem seus próprios resíduos e trocá-los por moedas Mangal, que podem ser usadas em um bazar. “O projeto Andadas Ecológicas tem diferenciais e não se limita a recolher o lixo do mangue e do mar”, afirma Belga.
O pagamento por serviços ambientais, adotado pela Guardiões do Mar desde 2001, incentiva as comunidades a se tornarem agentes ambientais. “A partir daí, entendemos a importância de como vale a pena contratar essas comunidades para fazer a limpeza”, completa Belga.
Rafael dos Santos, presidente da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangue de Magé, ressalta que a limpeza dos manguezais também impulsiona o Turismo de Base Comunitária, atraindo visitantes para a região.
O projeto é uma extensão da Operação LimpaOca, que já retirou mais de 100 toneladas de resíduos desde 2012. “Desde as primeiras ações de limpeza dos manguezais na região da APA de Guapimirim, na região Metropolitana do Rio, em 2012, a ação já recolheu mais de 100 toneladas de resíduos”, afirma o coordenador Rodrigo Gaião. Gaião ainda destaca que entre os resíduos coletados, o plástico é o mais predominante. “O plástico domina, seja em forma de garrafa pet ou outros tipos de potes plásticos e sacolas em quantidade absurda. Dependendo do tempo que aquilo está no manguezal, é grande a quantidade de fragmentos.”
As iniciativas de limpeza dos mangues na APA de Guapimirim tiveram início após o vazamento de um duto da Petrobras em 2000, que resultou em uma multa e investimentos na revitalização da baía.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2026-03/comunidade-transforma-cenario-ambiental-da-baia-de-guanabara
