Censo Escolar 2025: Queda nas matrículas e desigualdade racial persistem na educação básica
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apresentaram os dados da primeira etapa do Censo Escolar 2025, revelando uma redução de 2,29% no número de matrículas em relação ao ano anterior. O levantamento, divulgado em Manaus, contabilizou 46,01 milhões de estudantes, ante os 47,08 milhões de 2024.
O ensino fundamental, que abrange do 1º ao 9º ano, concentra a maior parte das matrículas, com 25,8 milhões, representando 56,07% do total. O Inep, utilizando dados do IBGE, aponta que a frequência escolar na faixa etária de 6 a 14 anos é quase universal, atingindo 99,5% em 2025. Fábio Pereira Bravin, coordenador de Estatísticas Educacionais do Inep, ressalta a estabilidade no número de matrículas do ensino fundamental, indicando sua universalização.
No ensino médio, o Censo registrou 7,36 milhões de matrículas em 2025, sendo 6,33 milhões em escolas públicas e 1,03 milhão em unidades privadas. Houve um declínio em relação aos últimos quatro anos, com uma redução de aproximadamente 400 mil alunos desde 2021, quando foram contabilizadas 7,77 milhões de matrículas. Entre 2024 e 2025, a queda foi de 140,9 mil matrículas.
O Inep atribui parte dessa redução à maior eficiência escolar, evidenciada pela diminuição do número de alunos com atraso na relação idade-série. Segundo o coordenador do Inep, houve uma queda de quase 10 pontos percentuais no número de alunos atrasados entre 2021 e 2025. Adicionalmente, o percentual de jovens de 15 a 17 anos frequentando a escola aumentou de 89% em 2019 para 93,2% em 2025.
O ministro Camilo Santana destacou o programa Pé-de-Meia como um dos fatores para a redução da evasão escolar no ensino médio, oferecendo incentivos financeiros para a permanência e conclusão dos estudos. “É uma forma de garantir que o aluno não abandone na escola e estimular que ele curse o ensino médio e passe por ano, porque o estudante recebe a poupança”, afirmou o ministro.
Os dados do Censo também apontam para uma redução na taxa de distorção idade-série em todas as etapas da educação básica. No ensino fundamental e médio, o atraso escolar caiu 4,3 e 10,3 pontos percentuais, respectivamente, em comparação com 2021.
Apesar dos avanços, o Censo revela desigualdades raciais no atraso escolar. Em todas as etapas de ensino, o atraso é maior entre alunos que se declaram pretos ou pardos em comparação com os brancos. Em 2025, 17,7% dos alunos negros nos anos finais do ensino fundamental estavam fora da idade adequada, enquanto o índice entre alunos brancos era de 9,2%. No ensino médio, a taxa de distorção idade-série entre jovens negros é de 19,3%, contra 10,9% entre os brancos.
O Inep ressalta a importância da coleta de dados sobre cor/raça, obrigatória desde 2005, para a identificação de desigualdades e a formulação de políticas públicas. A ausência do registro de “raça/cor” caiu de 25,5% em 2023 para 13,6% em 2025, melhorando a qualidade da informação.
Além de dados sobre matrículas, o Censo Escolar coleta informações sobre escolas, professores, gestores, turmas e alunos de todas as modalidades de ensino, servindo como base para a formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas e a destinação de recursos para áreas como merenda escolar, transporte e livros didáticos.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026-02/ensino-fundamental-atinge-995-de-frequencia-atraso-escolar-cai
