O Roubo de Arte no Carnaval do Rio: Um Mistério Prescrito, Obras Desaparecidas
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Há 20 anos, em pleno carnaval de 2006 no Rio de Janeiro, o Museu da Chácara do Céu, em Santa Tereza, foi palco de um audacioso roubo de obras de arte, considerado um dos maiores do Brasil e entre os dez maiores do mundo pelo FBI. Enquanto o Bloco das Carmelitas arrastava foliões pelas ruas, criminosos subtraíram cinco obras valiosas, incluindo pinturas de Claude Monet, Henri Matisse, Pablo Picasso e Salvador Dalí, além de um livro de gravuras de Picasso, totalizando um prejuízo estimado em US$ 10 milhões na época, o equivalente a R$ 52 milhões hoje.
O crime, que prescreve nesta semana, nunca teve seus responsáveis devidamente punidos. As investigações apontaram para Paulo Gessé, dono de uma kombi, e dois franceses: Michel Cohen, já acusado de fraudes nos EUA, e Patrice Rouge, artesão radicado no Brasil. Rouge, em entrevista exclusiva à Agência Brasil, nega qualquer envolvimento, alegando que estava na França quando soube do roubo. “Essa história toda é completamente absurda”, afirma.
A jornalista Cristina Tardáguila, autora do livro “A Arte do Descaso”, critica o desinteresse institucional na solução do caso. Segundo ela, houve negligência desde a segurança do museu até a condução das investigações pela Polícia Federal, que chegou a perder o inquérito.
Atualmente, a segurança do Museu da Chácara do Céu foi reforçada, com monitoramento por câmeras e equipe de vigilância treinada. A diretora do museu, Vivian Horta, afirma que a segurança é prioridade desde 2007.
Para o especialista em artes visuais, Helder Oliveira, o roubo representa uma perda cultural para toda a sociedade. “Essas obras estavam disponíveis para todas as pessoas contemplarem e estudarem”, lamenta. Ele defende políticas públicas que valorizem o patrimônio cultural e uma polícia especializada em crimes contra o patrimônio.
A história do roubo ganhará as telas do cinema em breve. Um longa-metragem baseado no livro de Cristina Tardáguila está em produção, com o objetivo de trazer nova luz sobre o caso. Apesar da prescrição, o Museu Chácara do Céu mantém a esperança de recuperar as obras. “A gente tem a expectativa de que elas voltem para o museu”, diz a diretora Vivian Horta.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-02/apos-20-anos-roubo-de-obras-de-monet-picasso-e-dali-prescreve-no-rio
