Lula defende regulação da IA pela ONU e uso de moedas locais no BRICS
© Ricardo StuckertPR
Em viagem oficial à Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em entrevista ao programa India Today, a criação de uma regulação internacional para o uso da Inteligência Artificial (IA). Segundo ele, essa regulação deveria ser feita por “uma instituição multilateral com o porte das Nações Unidas”, garantindo que a IA beneficie toda a sociedade, e não apenas “um ou dois donos”.
Lula alertou para os riscos da IA ser utilizada de maneira negativa, causando danos à vida íntima das pessoas e provocando violência. “Precisamos de uma regulação rígida, realizada por uma instituição multilateral com o porte das Nações Unidas. Essa regulação deve proteger especialmente crianças, adolescentes e mulheres, pois não podemos permitir que a IA seja usada para causar danos e violência”, afirmou.
Durante a entrevista, o presidente também abordou as expectativas para o futuro do Brics, bloco que ele considera uma das criações mais importantes das últimas três décadas, representando o sul global. Lula defendeu a “nova abordagem institucional” promovida pelo Brics, que, segundo ele, pode inovar conforme as necessidades do século XXI, diferente de instituições como o FMI e o Banco Mundial.
Outro ponto defendido por Lula foi a possibilidade de reduzir a dependência do dólar nas relações comerciais entre os países, em especial os que formam o Brics. “Por isso defendo que não é necessário que um acordo comercial entre Brasil e Índia, por exemplo, seja feito em dólares. Acredito que podemos usar nossas próprias moedas. É difícil, mas podemos tentar. Ninguém precisa depender exclusivamente do dólar”, explicou.
O presidente reiterou que mantém uma boa relação com o presidente dos EUA, Donald Trump, e que está disposto a conversar sobre questões importantes para ambos os países, incluindo parcerias voltadas à exploração de minerais críticos em território brasileiro. No entanto, ressaltou que não colocará em discussão a soberania ou a democracia do Brasil.
Sobre a relação entre Brasil e Índia, Lula defendeu o fortalecimento dos laços bilaterais, o que motivou a levar 300 empresários brasileiros na viagem. “Queremos aprender com a Índia e ensinar o que podemos ensinar. Queremos comprar e vender; mostrar a experiência das nossas empresas e construir parcerias que beneficiem os povos, e não apenas vitórias isoladas. É por isso que defendo o multilateralismo”, concluiu.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-02/lula-defende-que-ia-fique-cargo-de-instituicao-multilateral
