Sob o sol do carnaval, ambulantes lutam por dignidade e apoio para cuidar dos filhos

Mães ambulantes cobram pontos de apoio para crianças no carnaval

© Fernando Frazão/Agência Brasil

No coração do Carnaval do Rio de Janeiro, por trás da alegria dos foliões, encontram-se os ambulantes, trabalhadores que garantem o acesso a bebidas e alimentos durante a festa. Muitos desses profissionais enfrentam jornadas exaustivas sob o sol forte, conciliando o trabalho com os cuidados com seus filhos, que os acompanham devido à falta de opções de creches ou cuidadores, como é o caso de Taís Aparecida Epifânio Lopes, que leva sua filha de 4 anos para os blocos na Zona Sul.

Lílian Conceição Santos, outra ambulante, também leva seus três filhos e sobrinhos para o trabalho, montando uma barraca no centro da cidade. Ela relata as condições precárias, como o uso de bueiros como banheiro e a necessidade de utilizar água da polícia para tomar banho.

O Movimento de Mulheres Ambulantes Elas por Elas Providência destaca que o Carnaval, responsável por injetar R$ 5,8 bilhões na economia carioca, representa a principal fonte de renda do ano para esses trabalhadores. O movimento cobra do poder público a instalação de espaços de convivência para os ambulantes e seus filhos, tanto durante o dia quanto à noite, próximos aos principais pontos de folia.

Em 2026, o movimento, em parceria com o Tribunal Regional do Trabalho, a 1ª Vara da Infância e da Juventude e a prefeitura, conseguiu um espaço para acolher crianças durante as noites de desfile. O local oferece atividades lúdicas, refeições e um lugar seguro para dormir, beneficiando cerca de 20 crianças por noite. Taís Epifânio relatou o alívio de poder deixar sua filha no espaço, onde ela teve acesso a brincadeiras e conforto que não teria nas ruas.

Outra ambulante, Luna Cristina Vitória, também tem utilizado o espaço para deixar seus dois filhos enquanto trabalha vendendo churrasquinho. Seu filho, Eduardo Vitor Nunes Silva, de 9 anos, elogiou o local, destacando o conforto e as atividades oferecidas.

Apesar da iniciativa, Lílian Conceição lamenta a distância do espaço em relação ao seu local de trabalho e pede que a prefeitura disponibilize serviços semelhantes em outras áreas da cidade. Caroline Alves da Silva, liderança do Movimento Elas por Elas, ressalta a falta de apoio e a invisibilidade enfrentada pelas ambulantes, que em sua maioria são mulheres negras e mães solo.

O vereador Leniel Borel tem denunciado a presença de crianças e adolescentes trabalhando ou acompanhando seus pais nas ruas durante o Carnaval, alertando para os riscos de exploração e desaparecimentos.

A Secretaria Municipal de Assistência Social afirma que realiza ações permanentes para prevenir o trabalho infantil e destaca o espaço de convivência próximo à Sapucaí. A secretária Martha Rocha convida os ambulantes a procurarem os profissionais da SMAS ou levarem seus filhos diretamente ao centro.

Para amenizar o desgaste dos ambulantes, o movimento Elas por Elas também conseguiu incluir a categoria no Centro do Catador, onde eles podem descansar, se alimentar, tomar banho e pernoitar. A deputada estadual Dani Monteiro reconhece a importância de garantir condições dignas para esses trabalhadores, que contribuem para a realização do Carnaval.

A prefeitura não se manifestou sobre as críticas relacionadas à falta de equipamentos de proteção para os ambulantes e à necessidade de ampliar o horário de funcionamento do centro de convivência para as crianças. Em 2026, o número de credenciados para trabalhar no Carnaval foi limitado a 15 mil, embora o movimento estime que cerca de 50 mil pessoas atuem nas ruas durante a festa.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-02/maes-ambulantes-cobram-pontos-de-apoio-para-criancas-no-carnaval

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