“Deficiente é a Mãe”: Bloco de Carnaval que Luta por Inclusão e Acessibilidade
© Valter Campanato/Agência Brasil
Em Goiás, a celebração do carnaval enfrenta desafios de acessibilidade para pessoas com deficiência (PCDs), como a ausência de rampas, pisos táteis, transporte público adequado e espaços reservados com boa visibilidade, além da carência de intérpretes de Libras. Diante desse cenário, o bloco “Deficiente é a mãe” se destaca como um movimento de inclusão e combate ao capacitismo, termo que define a discriminação e a subestimação das capacidades de pessoas com deficiência.
Fundado há 14 anos pela historiadora Lurdinha Danezy Piantino, juntamente com pais e representantes de entidades ligadas à causa, o bloco busca garantir que “a pessoa com deficiência tem que ocupar todos os espaços: sociais e culturais. E o momento cultural mais importante do ano é o carnaval. Então, a pessoa com deficiência tem que estar junto.”
Lurdinha é mãe de Lúcio Piantino, que dá vida à drag queen Úrsula Up, a primeira com síndrome de Down no Brasil. Lúcio, que também é ator, artista plástico, dançarino e palhaço, expressa sua alegria em participar do carnaval, vendo os blocos como ferramentas essenciais para a inclusão.
Outro fundador do bloco, o servidor público aposentado Luiz Maurício Santos, cadeirante há 28 anos, ressalta as dificuldades enfrentadas para viabilizar o desfile, mas enfatiza que o resultado compensa. Ele apela para que mais pessoas com deficiência reconheçam o carnaval como um espaço que também lhes pertence.
Francisco Boing Marinucci, jovem com Transtorno do Espectro Autista (TEA), é um dos foliões assíduos do bloco, acompanhado por sua mãe, Raquel Boing Marinucci. Em 2026, a dupla homenageou os personagens do Sítio do Picapau Amarelo. Raquel destaca a importância do bloco como um ambiente inclusivo e seguro para seu filho.
De acordo com o IBGE, o Brasil possui 18,6 milhões de pessoas com deficiência com 2 anos ou mais, representando 8,9% da população nessa faixa etária. A deficiência visual é a mais comum, atingindo cerca de 3,1% da população.
O auxiliar de biblioteca Thiago Vieira, que tem baixa visão desde o nascimento e frequenta o bloco acompanhado por sua cão-guia Nina, expressa o desejo de que a sociedade se conscientize sobre a importância de criar mais espaços acessíveis para pessoas com deficiência. “No ano inteiro, a gente é bastante esquecido. Este bloco é um começo, me sinto seguro aqui. Quem sabe a sociedade se conscientiza para abrir mais lugares acessíveis para a gente?”, almeja.
O secretário escolar Carlos Augusto Lopes de Sousa, cadeirante devido a uma lesão na coluna, também marca presença no bloco e demonstra otimismo em relação aos avanços nas pesquisas da professora Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ, que desenvolveu um medicamento promissor para a regeneração de lesões medulares.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-02/bloco-de-brasilia-faz-carnaval-acessivel-para-pessoas-com-deficiencia
