Enredos da Liberdade: O grito das escolas de samba pela democracia no Brasil

Samba-enredo é um grande enunciado político, diz sociólogo

© Gilberto Costa/Agência Brasil

O conturbado processo de redemocratização no Brasil durante o século XX é o foco da tese de doutorado do sociólogo Rodrigo Antonio Reduzino, defendida na Unicamp. Intitulada “Enredos da Liberdade: o grito das Escolas de Samba pela Democracia”, a pesquisa analisa como as escolas de samba do Rio de Janeiro, nos anos 1980, período de transição da ditadura militar, utilizaram seus enredos como forma de resistência e crítica social.

O estudo de Reduzino, que também é base para o documentário “Enredos da Liberdade”, disponível no Globoplay, abrange desde a campanha das Diretas Já até a eleição de Fernando Collor. Ele destaca que, apesar da repressão e censura, membros das escolas de samba, especialmente pessoas negras, enfrentaram o racismo e a violência estatal para expressar suas opiniões políticas.

Em entrevista à Agência Brasil, Reduzino, que também atua na Secretaria de Educação do Rio de Janeiro e no Departamento Cultural da Mangueira, ressalta a importância de reconhecer o samba-enredo como um “grande enunciado político”. Ele critica o apagamento do papel das escolas de samba na resistência à ditadura, destacando que “vivemos em uma sociedade historicamente estruturada pelo racismo, e uma das dimensões dele é o apagamento da palavra, da intelectualidade e da humanidade”.

O sociólogo aborda ainda a relação entre as escolas de samba e os banqueiros do jogo do bicho, afirmando que a associação com a criminalidade recai sobre as escolas, ignorando a conexão dos bicheiros com o poder público. Reduzino também discute o mito da democracia racial no Brasil, argumentando que ele serve para “negar a própria realidade” e perpetuar desigualdades.

Questionado sobre a crítica de que alguns enredos do passado foram baseados na historiografia oficial, Reduzino defende que essa visão busca “tornar menor o que você produz” e estigmatizar as escolas de samba, isentando outras instituições de questionamentos semelhantes. Ele questiona a narrativa de que as escolas de samba foram adesistas à ditadura, apontando que poucos enredos da década de 1970 exaltaram o regime militar.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-02/samba-enredo-e-um-grande-enunciado-politico-diz-sociologo

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